A hora do ajuste fiscal

Enquanto o anúncio da nova equipe econômica não vem, economistas dizem que mais importante do que os nomes é o ajuste fiscal

Por O Dia

A presidente Dilma Rousseff fez um longo e atípico percurso na viagem de volta da Austrália. Em lugar da escala na Califórnia – que poderia ser em Los Angeles ou em São Francisco, a tripulação do Airbus oficial optou por uma parada técnica em Seattle, bem mais ao Norte, quase na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá. A bordo do avião, estavam, além de Dilma, o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Com o voo mais longo do que o habitual e uma segunda escala no Panamá, a presidente teve tempo de sobra para acertar os últimos detalhes nas mudanças que vai anunciar na equipe econômica do seu segundo mandato. Coincidência ou não, depois que Dilma convocou Tombini com urgência para a reunião do G-20 em Brisbane, dá-se como certo que ele será o novo titular da Fazenda.

Ontem, o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, negou que tenha sido convidado para o cargo de Guido Mantega. Seu nome foi bastante citado nas últimas semanas, pois Barbosa teria sido uma das alternativas sugeridas pelo ex-presidente Lula, que, segundo os rumores, apontou também o ex-presidente do BC Henrique Meirelles e o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. Dilma confirmou apenas que, logo após a eleição, conversou com Trabuco, mas negou que tivesse feito qualquer sondagem para o futuro Ministério. Em Brasília, comenta-se que as chances de Meirelles são mínimas por vários motivos. O principal seria o relacionamento difícil com Dilma quando ela ocupava a Casa Civil no governo Lula. O nome de Tombini passou a correr por fora e agora desponta como favorito. Nas apostas, Nelson Barbosa ficaria com o Planejamento, no lugar de Miriam Belchior.

Há muita especulação, mas a presidente Dilma mantém sua escolha guardada a sete chaves. Afinal, falta mais de um mês para o início do segundo mandato. Mesmo assim, acredita-se que ela pode abreviar o cronograma com o objetivo de criar um fato novo que desvie as atenções do escândalo da Petrobras. A reforma ministerial – a começar pelo titular da Fazenda – faria parte da agenda positiva defendida pelos assessores da Presidência. Da eleição para cá, as investigações da Polícia Federal sobre a rede de corrupção na estatal do petróleo dominaram completamente a pauta dos meios de comunicação. Para sair deste atoleiro, Dilma sofre pressões para queimar etapas e bater o martelo nos próximos dias.

Enquanto o anúncio dos novos nomes não vem, os especialistas continuam a se debruçar sobre os pontos frágeis da economia brasileira e afirmam que não basta mudar a equipe de governo. Em entrevista ao jornal “O Globo, a ex-diretora do Fundo Monetário Internacional Teresa Ter-Minassian, que comandou missões ao Brasil no final dos anos 90, disse que, em sua visão, o desempenho da atual política fiscal “é bastante negativo”. Para a italiana, a política fiscal expansionistas aprofundou os gargalos na economia, com perda de competitividade externa e incertezas de empresários e consumidores. A exemplo de outros economistas, ela espera que o novo governo anuncie fortes ajustes a curto prazo. O mais importante, diz Teresa, é resgatar a credibilidade da política fiscal ,“prejudicada pela contabilidade criativa dos últimos anos”. Essa é a visão dominante fora do governo. Mais importante do que os nomes é o ajuste fiscal.


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