Por diana.dantas

É  muito raro em Brasília que a presidente Dilma Rousseff consiga realizar encontros sem o conhecimento dos experientes repórteres dos principais órgãos de imprensa do país. Mas foi o que aconteceu na tarde de terça-feira quando Dilma, num compromisso extra-agenda, reuniu-se na Granja do Torto com o ex-presidente Lula para discutir a formação do novo ministério. A notícia só vazou no dia seguinte, quando a imprensa tratou de reconstituir os fatos. Soube-se que também estavam lá o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, e o governador da Bahia, Jaques Wagner. A ideia inicial era tratar das mudanças na equipe econômica, mas a conversa foi atropelada pelos respingos do escândalo da Petrobras na imagem governo.

Os presentes concluíram que a presidente não pode ficar acuada. Tem de reagir imediatamente e criar fatos positivos que sirvam de anteparo ao festival de más notícias. Dilma teria dito, na reunião do Torto, que ficou “chocada” e “muito impressionada” com as denúncias de empreiteiros sobre extorsão e pagamento de propina em obras da Petrobras. Está preocupada com os desdobramentos do escândalo e seu impacto nos negócios da estatal e na economia. Mas deixou claro que não pretende afastar a presidente da empresa, Graça Foster, sua amiga dileta, a quem chama de Gracinha. A presidente está cobrando de Graça ações saneadoras de curto prazo, mas se recusa a abandoná-la no meio do tiroteio. Até segunda ordem, Graça Foster continua no cargo, afirmou Dilma, resistindo às pressões por mudança radical na cúpula da estatal. Como efeito das investigações da Polícia Federal, ela adotará extrema cautela na escolha de novos ministros. Não quer correr o risco de escolher políticos da base aliada que no futuro podem ser incriminados pela PF.

Além do pé no freio da reforma ministerial (com exceção aberta apenas para a nova equipe econômica), a presidente não esconde a preocupação com possíveis atrasos nas grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Ela teme que a prisão de sócios e executivos das empreiteiras envolvidas na Operação Lava-Jato provoque paralisia no setor. Em audiência com o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, Dilma disse que o Brasil não pode parar por causa das investigações. Ela quer a conclusão de todas as obras em andamento. Caso necessário, como já sugeriram o presidente do TCU, Augusto Nardes, e o vice-presidente Michel Temer, que sejam repactuados alguns contratos, mas sem prejudicar os investimentos em infraestrutura.

Para além dessas preocupações, o escândalo da Petrobras está levando a presidente Dilma a ser mais rigorosa ainda na escolha do núcleo duro de seu governo. Não basta a competência, ela quer a seu lado gente de absoluta confiança. Por isso, mostra-se disposta a nomear para o ministério de Minas e Energia o geólogo Giles Azevedo, o ex-chefe do gabinete da Presidência que a acompanha desde o governo do pedetista Alceu Colares em Porto Alegre no início da década de 90. A Petrobras ficaria subordinada a Giles. Dilma também não abre mão de levar o governador Jaques Wagner para o Palácio do Planalto. Depois da reunião no Torto, tomou café da manhã com ele no Alvorada na quarta-feira e, se não houver vaga, criará um cargo especial para Wagner. Disposta a não deixar o flanco aberto, a presidente reforça o time palaciano para enfrentar o segundo mandato.

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