De repente, vem a corrupção

Mas o presidente da Câmara está preocupado com a maioridade penal e o Exame da Ordem. A pauta de Cunha só interessa a ele mesmo

Por O Dia

Foi impressionante, por exemplo, a desfaçatez com que o engenheiro Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras e um dos delatores da Operação Lava Jato, explicou na Justiça Federal do Paraná como se envolveu com o esquema de corrupção da Petrobras. Por mais que pareça um deboche, Barusco afirmou que não sabe o que começou primeiro: se ele pediu propina para as empresas que prestam serviços para a Petrobras ou se partiu delas a iniciativa de fazer pagamentos a ele e ao ex-diretor de Serviços Renato Duque. “Foi uma coisa que foi acontecendo dos dois lados. Tanto um oferece, quanto outro recebe, vai estreitando o relacionamento e vai surgindo e, quando a gente vê, está no meio desse processo. Uma coisa contínua, quando a gente vê já está acontecendo” — respondeu, em depoimento ao juiz Sérgio Moro.

A acreditar na versão pitoresca do engenheiro Barusco, a corrupção nasce por acaso. Surge do nada. De repente, os homens honestos tornam-se desonestos. Tão simples como um jogo de cara ou coroa. O executivo de alto coturno vai dormir digno e acorda no meio do processo de corrupção. Estranhamente, não esboça reação. Aceita o destino, dá o mau passo e desvia milhões de reais dos cofres públicos. Barusco deixou crescer a barba para esconder o rosto, mas é muito cara de pau. Em momento algum, o ex-gerente da Petrobras foi um agente passivo. Ao contrário, era o responsável pela contabilidade da propina e devolveu US$ 150 milhões aos cofres públicos como quem paga uma conta no restaurante.

Ninguém se corrompe por ingenuidade. E o que espanta é o sentimento de impunidade dos corruptos. Agora mesmo surge nova denúncia da Polícia Federal, envolvendo licitação da Casa da Moeda. É investigado um esquema de fraude na contratação da prestadora de serviços que instalou o Sistema de Controle da Produção de Bebidas, para fins de tributação. A vencedora foi a empresa de sistema SIPCA em troca de uma polpuda comissão por fora de R$ 100 milhões. Um dos acusados é o ex-coordenador-geral de Fiscalização da Receita Federal Marcelo Fisch. Atualmente, Fisch chefia a divisão de Controles Fiscais Especiais da Receita.

Portanto, o fiscal teria se dedicado a engordar a própria receita. Da noite para o dia, o relacionamento se estreitou e ele se viu no meio do esquema da Casa da Moeda. Enquanto isso, o presidente da Câmara está preocupado em reduzir a maioridade penal. E também com o fim do Exame da Ordem. A pauta de Eduardo Cunha só interessa a ele mesmo.

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