Por bruno.dutra
Publicado 06/10/2014 23:33 | Atualizado 06/10/2014 23:41

No dia seguinte, o Presidente Barack Obama aparecia em cadeia nacional com amplo sorriso, mostrando esse movimento como a principal conquista do seu governo. Na Europa, as altas taxas de desemprego são motivos de conflitos políticos e sociais constantes. No Brasil, com uma baixíssima taxa de desemprego no Brasil, chama um pouco a atenção que a situação do mercado de trabalho assuma uma posição menos proeminente no debate politico. Porque isto?

Os Estados Unidos não passavam um problema tão significativo no mercado de trabalho desde meados dos anos 80 — quando a taxa de desemprego chegou a ser superior a 10,8% (em novembro de 1982). Desde então, houve alguns picos de desemprego como parte do ciclo econômico — por exemplo, em junho de 1992 (7,8%) e em junho de 2003 (6,3%). No começo de 2008, o desemprego era um pouco inferior a 4,3%. Com o desemprego tão baixo, e um amplo acesso ao crédito, as desigualdades se mascaravam. Por exemplo, mesmo as pessoas de menor renda podiam sonhar com o acesso a bens de consumo duráveis e a moradia; enquanto que a alta empregabilidade permitia que grande parte dos estudantes mais pobres tivessem acesso a crédito para realizar o sonho de uma formação universitária.

Na Europa, por outro lado, em algum momento se esperava que o aumento do desemprego pudesse gerar um ajuste no custo de produção — entendido por muitos como necessário para enfrentar a perda de competitividade do setor produtivo. Porém, com um comércio internacional andando de lado, o resultado tem sido o oposto. Mesmo nas economias europeias mais socialmente desenvolvidas, a constatação política mais importante ao longo destes sete anos de crise tem sido de que, na atual conjuntura internacional, ajustes que levam ao maior desemprego não são acompanhados por melhoras significativas nas contas externas. Mas tem, sim, gerados efeitos que vão além das atuais gerações, na medida que muitos jovens têm abandonado carreiras acadêmicas e profissionais por simples falta de perspectiva.

No Brasil, passamos por uma situação muito distinta. Temos observado por anos consecutivos quedas sistemáticas da taxa de desemprego. Desde 2003, quando o desemprego rondava a casa dos 12%, tem ocorrido uma melhora sistemática do mercado de trabalho, chegando a uma taxa inferior a 5%. Não só isso: seja através da política de valorização do salário mínimo, seja pelas condições do mercado de trabalho, a renda dos trabalhadores tem aumentado significativamente nestes anos.

A maior empregabilidade permite que uma maior quantidade de jovens aposte em seus futuros — seja com recursos próprios, seja através dos programas de formação técnica ou acesso à universidade. Programas sociais, como Bolsa Família, têm sido fundamentais para diminuir a pobreza absoluta, mas é o acesso ao emprego e melhor remuneração que tem permitido melhoria da qualidade de vida da maior parte da população.

O aumento do acesso ao crédito foi, de fato, um resultado de política — um reposicionamento dos bancos públicos dentro de um projeto mais amplo de inclusão socioeconômica; mas também esteve associado às melhores condições de emprego e empregabilidade.

A crise do mercado de emprego lembrou aos públicos americano e europeu uma realidade já constatada pela maioria dos estudos sobre desenvolvimento social: um mercado de trabalho robusto não só é a principal porta de saída da pobreza, como também é o portal de prosperidade das futuras gerações. Hoje a grande preocupação nessas sociedades é se seus filhos terão as mesmas oportunidades para construir uns futuros melhor para si mesmos — e, por conseguinte, para a nação.

Mesmo que tenhamos quadros econômicos completamente distintos, o debate politico no Brasil não pode deixar de aprender essa lição que vem do Norte — sob o risco de cometermos os mesmos equívocos.

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