Por bianca.lobianco
Publicado 03/02/2017 20:29 | Atualizado 04/02/2017 13:51

Rio - Por ‘rainha’, entendemos, como principal significado,segundo os dicionários de língua portuguesa: ‘soberana de um reino’. As atrizes Juliana Alves, 34, e Karen Mota,33, encarnam essa soberania com todo poder que pede a função que exercem no reino do Carnaval: a de ‘Rainhas de bateria’. Elas apresentam e representam a bateria, o coração de uma escola de samba,no caso de Juliana, a Unidos da Tijuca, ou de um bloco, no caso de Karen, o Me Esquece, que desfila pelo Jardim Botânico. Tudo isso “com dedicação e amor”, fazem coro.

Karen Mota e Juliana AlvesMarcio Mercante / AG. ODIA

REINADO NA AVENIDA

Juliana desfila na Marquês de Sapucaí à frente da sua Unidos da Tijuca, desde 2012. Para a atriz, o posto de ‘Rainha da bateria’ é mais do que uma função decorativa ou midiática. “São 300 ritmistas. A ‘Rainha’ é a pessoa que representa esse som, através de uma expressão corporal. Acho que o pré-requisito básico é você conseguir expressar com seu corpo, a potência do som. O que chamamos de samba no pé”, esclarece com humor. “Claro que existem vários estilos de ‘Rainha’, mas na minha opinião, isso é básico. Dá sentido e justifica . Além de carisma e simpatia, claro”.

Juliana AlvesMarcio Mercante / AG. ODIA

A atriz, no ar como a Dora de ‘Sol Nascente’, conta que nasceu em Bento Ribeiro, bairro da Zona Norte do Rio, passou por Bangu, e finalmente chegou na Tijuca, bairro que residiu da infância até bem pouco tempo atrás. “Minhas lembranças mais fortes são da Tijuca, onde passei boa parte da vida. Comecei a participar da Unidos da Tijuca, primeiro como foliã, teve uma época que eles ensaiavam na Praça Saens Peña.Minha história com o samba é de família, que é festiva. Meu pai cantava muito samba para gente. Minhas tias faziam rodas”, revela, que desfila dia 27 de fevereiro. 

A ‘Rainha’ Juliana Alves encara o desafio carnavalesco com muita alegria, mas leva o posto muito a sério. “Sou ‘rainha’ da escola do meu bairro de infância, tenho amor pela comunidade. É uma responsabilidade grande. Fico feliz de estar ao lado dessas pessoas defendendo a nossa escola. A ‘rainha’ representa uma cultura, a do samba, não só o carnaval. É gratificante esse ritual, é revigorante. Me fortalece como indivíduo”.

Ela afirma que a preparação para ‘Avenida’ começa em julho do ano anterior, quando iniciam os ensaios, que são fundamentais para o entrosamento e boa performance. “Tem a preparação física, com exercícios, que dependendo do ano, faço de uma forma. Neste Carnaval, ainda estou gravando a novela, então, estou me desdobrando. São dois ensaios por semana, provas de fantasia, figurinos para os ensaios, divulgação”, revela.“Mas tudo vale muito à pena. Além de estar presente e participar, tem que entender que o que é soberano ali, é o samba, e não o posto”, diz, e completa: “Acredito que a Unidos da Tijuca vai ser campeã esse ano. O enredo está lindo: ‘Música na alma - Inspiração de uma nação’, fala da música americana. Minha fantasia será uma grande surpresa”.

REINADO NO CARNAVAL DE RUA

Karen Mota está há sete anos brilhando na bateria do bloco Me Esquece. Ela confessa a paixão antiga pelo Carnaval, e conta que já foi musa das escolas de samba Salgueiro e São Clemente. Mas o fato, é que a folia carioca fisgou essa moradora de Copacabana, que se dedica todos os anos nesta época, ao seu bloco do coração. “ Amo ser ‘Rainha de bateria’ do Me Esquece. O astral é incrível, o carinho que recebemos passando pelas ruas. Vivi momentos inesquecíveis. Minha carne é de Carnaval”, garante.

Karen Mota Marcio Mercante / AG. ODIA

A atriz, que saiu do quadro de ‘coleguinhas’ do ‘Caldeirão do Huck’, há nove anos, para se dedicar ao ofício da interpretação, concilia os ensaios do bloco com a participação em ‘A Terra Prometida’, na Record,como Mandisa, uma Rainha Núbia, e também,com a produção da segunda temporada da peça ‘Passional’, que reestreia ainda neste primero semestre. “Mas isso tudo é gratificante. Também é um trabalho artístico, você personifica a identidade do bloco, se envolve com o tema. Esse ano falaremos de ‘Yemanjá’. Serei a primeira ‘Yemanjá’ negra no Carnaval”. E a preparação para a ‘maratona’ nas ruas? “O ideal para se preparar para cinco horas de desfile é malhar alguns meses antes. Embora esse ano não tenha conseguido”, confessa ela, que desfila no dia 12 de fevereiro, às 9h.

Karen salienta a ocupação das mulheres no carnaval, não só nos tradicionais postos de ‘Rainhas’ ou ‘Musas’. “Existem outras funções que não estão só ligadas à beleza, ou a exposição do corpo (o que por sinal, não me incomoda, dentro do contexto). Elas estão nos tamborins, nos repiques, nas direções. Lugar de mulher é aonde ela quiser”.  

Juliana Alves e Karen Mota Marcio Mercante / AG. ODIA

DE ‘RAINHA’ PARA ‘RAINHA: Karen pergunta para Juliana

Você acha que ‘Rainha de bateria’ poderia ser um quesito a ser avaliado pelos jurados?

Juliana - Acho. O posto de ‘Rainha’ ia ser mais valorizado, e não só midiaticamente. Iam valorizar o lado artístico, a performance, o samba no pé. Todo o conjunto. Quando se trata de arte, é o todo. Acima de tudo, estaria a performance artística. Estar integrada à bateria,com seu som ritmicamente.

Quando foi a sua primeira vez na Sapucaí? Se puder descreva a emoção desse dia.

Juliana - A primeira vez foi na Unidos da Tijuca em 2001,achava que tinha uma relação próxima com o Carnaval do Rio. Sou carioca e sempre assisti os desfiles de escola de samba. Mas vivenciar o desfile,é diferente, uma emoção grande, de pertecimento a uma cultura. As pessoas trabalham tanto tempo pra fazer aquilo tudo, e você fazer parte é emocionante. 

RECADO DA KAREN: “Gostaria de dizer que se ‘Rainha’ fosse quesito você seria a número 1 na minha opinião, não só pela simpatia mas pelo samba no pé, que é impecável. Boa sorte com a Unidos da Tijuca!” 


DE ‘RAINHA’ PARA ‘RAINHA': Juliana pergunta para Karen

Qual é importância do carnaval de rua?

Karen - É que todas as pessoas podem curtir. Não estamos mais tão presos só com as escolas de samba. Os ingressos na Sapucaí não são tão acessíveis. E os lugares mais em conta não têm boa visão.

Você chega a ficar mais de cinco horas se apresentando e curtindo com o seu bloco, muito mais do que uma ‘Rainha’ de escola de samba. Como você faz para conseguir ir bem até o final?

Karen - Apesar da responsabilidade de sambar à frente da bateria, lá me sinto livre, minha família e amigos estão comigo sempre, desde as 9h. E em algum momento, também bebo aquela ‘gelada’, que ajuda a soltar os músculos pra aguentar a maratona. É só alegria! 

RECADO DA JULIANA: “Gostaria de dizer que foi uma alegria muito grande te encontrar e fico muito feliz que existam pessoas maravilhosas e cheias de energia positiva como você fortalecendo o nosso carnaval de rua” 



Coordenação: Brunna Condini
Beleza: Titto Vidal
Fotógrafo: Márcio Mercante (Ag O DIA)

Agradecimentos: Cinemateca do MAM, João Vitor Ferreira (adorno cabeça Karen), Atelier Romulo Santos Ribeiro (adorno cabeça Juliana)

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