Transformando a dor e a saudade em arte

Maria Eduarda de Carvalho estreia a peça 'Atrás do Mundo', inspirada na perda da irmã e nos questionamentos da filha

Por O Dia

É possível elaborar e transformar a dor através da magia do teatro? O espetáculo 'Atrás do Mundo', que estreia hoje no Teatro Ipanema, se propõe a colocar a pergunta em cena e convidar os medos para conversar. A ideia é transformar a saudade em arte. "Ela salva", diz a autora, a atriz Maria Eduarda de Carvalho.

Dirigida por Cristina Flores, a peça surgiu da necessidade da atriz de falar da morte de sua irmã para a filha, Luiza, hoje com 7 anos. "Essa peça foi sendo escrita ao longo de cinco anos. Inicialmente, a ideia era contar para minha filha a história de amor e amizade que vivi com minha irmã, Maria Antonia, que morreu assim que Luiza nasceu. Mas as perguntas da minha filha alteraram o rumo da minha prosa. De repente, me vi tendo que conversar sobre morte com uma criança de 2 anos e foi uma experiência profundamente enriquecedora", lembra.

Há sete anos, a vida de Maria Eduarda foi arrebatada pela perda da irmã de 26 anos, que morreu em decorrência de um câncer. "Senti a dor de perder minha única irmã e vivi a alegria de ver minha filha nascer no intervalo de um mês", conta ela, que decidiu escrever uma peça de teatro, dedicada às duas, para exorcizar o trauma.

Maria Eduarda teve ajuda da filha nos diálogos da peça. No alto (E)%2C a atriz e a irmã%2C Maria Antonia%2C com a pequena Luiza no coloDivulgação

RESSIGNIFICANDO

A atriz, que também está em 'Tempo de Amar', no horário das 18h, como Gilberte, braço direito de Lucerne (Regina Duarte) na Maison Dorée, está realizando seu projeto graças a um financiamento coletivo. "Há cinco anos, buscava patrocínio, sem sucesso. Antes de desistir, decidi tentar um teatro, e o Ipanema me acolheu. E descobri que ainda existe muita gente generosa no mundo. O projeto existe por conta delas", conclui.

Em cena, ao lado de Daniel Chagas, Leandro Baumgratz e Luiza Scarpa, ela conta a história de Didia, uma menina que acaba de perder a irmã, sua grande amiga, e se depara com Guigo, um menino solitário, que vive a separação dos pais. Juntos, eles enfrentam seus medos e inseguranças.

A atriz entrega que contou com a ajuda da filha para escrever diálogos. "Fui aprendendo a lógica infantil através das conversas com ela. Muitas de suas perguntas estão na peça", conta. "Acho que é uma peça que vai agradar a pais e filhos, porque ao mesmo tempo que dialoga diretamente com a maneira de raciocinar de uma criança, ela é um convite à possibilidade de os adultos reverem as questões da vida através do olhar de primeira vez, que as crianças têm em relação ao mundo".

 

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