Por leandro.eiro
Carlos Villagrán vai se despedir de Quico na Quinta da Boa VistaFrancisco Cepeda / Ag. News

Antes de o assessor de imprensa terminar de passar as orientações aos jornalistas que aguardavam Carlos Villagrán para sua última entrevista como o personagem Quico, do seriado mexicano ‘Chaves’, o ator entrou gritando pela sala. “Gentalha, gentalha”, dizia ele, lembrando o bordão do personagem que o consagrou e exibindo suas enormes bochechas. “Você é o Nhonho?”, continuou, alfinetando um repórter acima do peso. Em turnê pelo Brasil, Villagrán, de 69 anos, garante que o show que fará no sábado, às 20h, no circo da Quinta da Boa Vista, será o último de sua carreira. “Vou deixar de fazer o personagem em respeito a ele e ao público. Meu pior inimigo sou eu mesmo. Quando olho para a TV, me vejo com 40 anos a menos”, diz o ator, que não pretende se aposentar totalmente. Ele planeja escrever um livro em homenagem a seus fãs. “Será um livro de agradecimento. Foi o público que me deu tudo isso”, ressalta.

A escolha do Brasil para encerrar sua carreira não foi à toa. Segundo Villagrán, a repercussão que o seriado tem por aqui é maior do que em seu país de origem. “‘Chaves’ é sucesso no mundo todo, principalmente no Brasil. Nunca falamos de sexo ou de violência. É fácil de entender e de dar risada. E não havia estrelas nos bastidores. Todos trabalhavam para fazer uma única estrela: o programa”, conta o ator, visivelmente ansioso para sua derradeira apresentação com o figurino de marinheiro do personagem. “Tenho que me despedir dele, mas não sei o que vai acontecer após a apresentação, será que vou chorar?”, questionou, reproduzindo o choro inconfundível de Quico.

A relação com o criador do seriado, Roberto Gómez Bolaños, o Chaves, casado atualmente com Florinda Meza, a Dona Florinda da série, é conturbada. “Não tenho nenhum tipo de relação com ele, nem para o bem, nem para o mal. Não nos encontramos há mais de 30 anos. O que aconteceu é que a popularidade do Quico acabou ficando maior que a do Chaves, e a do Seu Madruga (Ramón Valdés) também. Aqui no Brasil, dizem que Quico e Seu Madruga eram como sal e pimenta. O Bolaños tinha ciúme, inveja. Por isso, registrou os personagens no nome dele”, desabafa o ator.
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Villagrán lamenta não receber pelo sucesso de quatro décadas do personagem. “Não ganho nem cinco centavos. Bolaños tem revistas, bolas e camisetas. E quem vende mais é o Quico. Mas quem fica com tudo é ele”, reclama.
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