Por tabata.uchoa

Rio - No meio da Praça Luiz de Camões, na Glória, o busto de bronze de Getúlio Vargas chama a atenção. Embaixo da estátua, há um memorial batizado com o nome do ex-presidente, que, após nove anos de sua inauguração, na próxima terça-feira, recebe a sua primeira exposição temporária, ‘Arte & Política: Enfrentamentos, Combates e Resistências’. Entre obras de renomados artistas, como Hélio Oiticica e Cândido Portinari, estão três desenhos inéditos do arquiteto Oscar Niemeyer.

Primeira exposição do Memorial Getúlio Vargas traz desenhos inéditos de NiemeyerDivulgação

“Além de dinamizar o espaço, a ideia é associar a arte com o cenário político do Brasil das décadas de 30, 50 e 70. Temos peças de 20 artistas, mas, para reuni-las, tive muita ajuda de colecionadores. Fui curador do Niemeyer por muito tempo também, por isso consegui trazer os desenhos dele”, explica Marcus Lontra Costa, responsável pela curadoria da mostra.

Por ironia do destino, o Memorial Getúlio Vargas, que homenageia o presidente considerado por muitos como um ditador, abriga, até o dia 1º de junho, obras de arte que, em sua maioria, criticam a ditadura e ressaltam temas como os ideais comunistas. Cândido Portinari, Carlos Scliar e Oscar Niemeyer são apontados pelo curador como os artistas e militantes políticos de maior destaque da exposição.
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“Antigamente, ou você era de esquerda ou de direita, o engajamento partidário era muito forte. Hoje, os embates políticos são questões como a ecologia, a cultura indígena, o direito das mulheres e a perseguição aos homossexuais”, comenta Marcus.
Outra bandeira levantada pelas obras que estão no Memorial é a da liberdade de expressão durante a ditadura militar dos anos 60 e 70. É nesse contexto que vários artistas se destacam, como Rubens Gerchman, Antônio Manuel, Cildo Meireles e Hélio Oiticica, que criou o famoso estandarte com a frase “Seja marginal, seja herói”.
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“Vivemos a censura até hoje. Percebo isso quando lembro da polêmica que aconteceu com a exposição da Marcia X, no Centro Cultural Banco do Brasil”, provoca o curador, referindo-se ao fato ocorrido em 2006, quando uma obra que imitava a forma de pênis feita a partir de terços foi retirada da mostra ‘Erótica’.
O curador também conta que uma das peças que escolheu para compor a exposição é uma maquete do ‘Monumento à Liberdade de Expressão’, de Franz Weissmann, destruído na década de 70, na Quinta da Boa Vista, pelos militares. “Vamos apresentar essa maquete para a prefeitura e propor que o monumento seja reconstruído”, planeja.
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