Fafá de Belém lança EP religioso

Cantora fala de Nossa Senhora e o Círio de Nazaré, além das ações políticas da Igreja Católica

Por leandro.eiro

'Era para a Igreja Católica que os refugiados políticos corriam'%2C diz FafáDivulgação

Rio - O posicionamento político marcou a carreira de Fafá de Belém muitas vezes. E volta a falar alto em seu novo EP, o católico ‘Amor e Fé’ (Universal), lançado pouco antes da visita do papa Francisco I ao Brasil e focado na devoção a Nossa Senhora. Católica praticante, a cantora lembra que a igreja desempenhou papéis libertários durante a ditadura militar.

“Era para ela que corriam os perseguidos políticos. Muitos padres eram presos por suas ações sociais”, lembra a cantora, que se tornou a musa das eleições diretas em 1984, presença garantida em todos os palanques montados pelo país. Uma notoriedade que teve seus custos. “Ameaçavam sequestrar minha filha Mariana. Uma pessoa que trabalhava comigo ficava sempre a postos. Como o Tancredo Neves (presidente eleito em 1985) morreu, houve uma campanha que me acusava de pé-frio. Passei dois anos quase sem trabalho. Sofri com isso, mas não cedi a pressões”.

‘Amor e Fé’ tem três temas eminentemente religiosos: ‘Nossa Senhora’, de Roberto e Erasmo Carlos, ‘Ave Maria’ de Schubert (em releitura bossa nova e com versão de Fafá e Dudu Falcão) e ‘Eu Sou de Lá’, feita para o povo de Belém pelo Padre Fábio de Melo. E a politizada ‘Gracias a la Vida’, da chilena Violeta Parra, “que deu alento a tantos refugiados no pior período da ditadura na América Latina”, diz. O disco foca também nos festejos belenenses do Círio de Nazaré e na relação da cidade em que Fafá nasceu com Nossa Senhora.

“Meu nome é Maria de Fátima por causa de uma promessa do meu pai. Sou de família portuguesa, ela sempre esteve presente em casa. O Círio é uma festa importante, que abarca gente de todas as religiões. Até ateus reverenciam, você acredita?”, diz ela, que já cantou para dois papas (João Paulo II e Bento XVI) e ainda não sabe se vai fazer o mesmo para Francisco I. “Sou amiga de Dom Orani Tempesta (arcebispo do Rio) e o visito sempre para tomar um café. Mas é porque sou amiga dele, não é para dar carteirada. Se eu estiver lá, é porque o Vaticano decidiu”.

Chocada com a permanência de Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara (“esse cara não devia nem ter entrado lá”), ela prefere pregar a liberdade lado a lado com a fé. “Sempre falei disso e sempre vou falar”.


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