Por tamyres.matos
Ele fala português fluentemente, tem amigos e parceiros musicais brasileiros e adora a cultura do Brasil. Aliás, o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler poderia mesmo ser brasileiro. “A família da minha mãe vem do Rio Grande do Sul, os Silveira. Eu falo português e nunca tive aula. A cultura brasileira sempre esteve muito presente para mim”, conta Drexler, que apresenta o show da turnê ‘Mundo Abisal’ nesta sexta-feira, às 22h, no Vivo Rio.
Cantor uruguaio Jorge DrexlerDivulgação

“Eu me lembro de cantar ‘Eu Quero Apenas’ (de 1974), do Roberto Carlos, com 5 anos”, conta ele. “Depois, veio João Gilberto. Entrei na música pelas mãos dele, como todos (no Brasil). Para mim, ele é o melhor cantor do mundo, o Caetano o artista mais importante do terceiro mundo e Chico Buarque é o letrista mais impressionante das línguas latinas. E o Gilberto Gil é uma entidade da música”, elogia.

Veio também da música brasileira a inspiração para o Projeto N, que consiste em três faixas do que Drexler chama de “aplicanções” (uma mistura de aplicativo e canções): é possível combinar as palavras de maneiras diferentes, formando uma nova música a cada vez em que ela é executada. A ideia tem influência de ‘Construção’, de Chico, e ‘Zera a reza’, de Caetano, e da poesia concreta brasileira. “Algumas pessoas sobrem no palco e vão modificando a música pelo iPad. É uma loucura”, conta o cantor.
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A história do uruguaio com o Brasil não para por aí: ele é amigo de nomes como Paulinho Moska, Vitor Ramil, Arnaldo Antunes e Marcelo Camelo, entre outros. “Eu me sinto quase parte da MPB”, brinca Drexler. “O cinema brasileiro também tem um lugar muito especial para mim, já que foi por ‘Diários de Motocicleta’ (de Walter Salles) que eu recebi o Oscar”, lembra ele, sobre o prêmio de melhor canção para ‘Al Otro Lado del Río’ em 2005.
Sucesso na trilhas, ele acaba de ter sua experiência como ator de cinema, protagonista do filme ‘La Suerte en Tus Manos’, do argentino Daniel Burman, previsto para estrear no Brasil em junho. “O mais difícil foi fazer uma cena com jogadores de pôquer de verdade. Eles tinham que perder, mas não queriam”, diverte-se ele, que gostou da experiência e repetiria. “Fala pro Andrucha (Waddington) e pro Waltinho (Walter Salles)”, brinca ele.
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A relação de Drexler com a sétima arte, aliás, vai além: ele é casado com a atriz espanhola Leonor Watling (a Alicia de ‘Fale com Ela’, de Pedro Almodóvar). Watling, por sua vez, está à frente da banda Marlango e vive cantando com o marido — no CD mais recente dele, ‘Amar La Trama’ (2010), ela faz um dueto com Drexler em ‘Toque de Queda’. “Dessa vez ela não pôde vir, estamos com filhos pequenos (Luca, de 4 anos, e Lea, de quase 2). Aliás, estou morrendo de saudade deles”, derrete-se.
Enquanto isso, ele conta que prepara um disco novo, para 2014, e que já tem algumas músicas novas. “Em Porto Alegre, compus com o Victor Ramil”, revela.