Por tamyres.matos
Rio - É um espetáculo sem mocinhos. No palco, imperam o egocentrismo, a manipulação e a soberba. Estrelado por Reynaldo Gianecchini, ‘Cruel’ — uma adaptação da obra ‘Os Credores’, do aclamado dramaturgo August Strindberg — leva os conflitos de um incendiário triângulo amoroso ao Teatro Leblon. A estreia é nesta sexta-feira, às 21h.

“A peça mostra como é possível se machucar nos relacionamentos. As pessoas que amamos deixam marcas profundas na nossa vida. É um texto muito atual, pois questões como traição e liberdade estão mais discutíveis do que nunca. Vemos no jornal coisas das mais cabeludas, como pessoas que matam por ciúmes”, afirma Reynaldo Gianecchini, que contracena com Erik Marmo e Maria Manoella.

Adolfo (Erik Marmo) é casado com a ex-mulher de Gustavo (Reynaldo Gianecchini) Divulgação

Em cena, Gianecchini entra na pele de Gustavo, um homem orgulhoso, perspicaz e movido pela sede de vingança. Sua ex-mulher, a escritora Tekla (Maria Manoella), é casada com Adolfo (Erik Marmo). Os dois são alvo das articulações maléficas de Gustavo, que cria um verdadeiro jogo de manipulações.

“Todos os personagens são cruéis. Mas o Gustavo é o único intencionalmente mau. Ele tem feridas abertas, questões que precisa resolver. É através da crueldade que tenta fazer isso”, explica Gianecchini.
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A montagem, dirigida por Elias Andreato, segue a cartilha do autor Strindberg: a violência é predominantemente psicológica. Na prática, significa um desafio a mais para o ator. “É difícil interpretar um personagem que pensa uma coisa e faz outra. Ele tem várias camadas. Pode explodir a qualquer momento”, conclui.