Alcione lança disco que privilegia os sambas e homenageia Emílio Santiago

‘Eterna Alegria’ traz uma canção especial para o amigo de longa data da cantora, ‘Magia do Palco’, de Altay Veloso

Por O Dia

Rio - A felicidade que salta do título e das músicas do novo disco de Alcione, ‘Eterna Alegria’, é uma conquista que vem após uma imensa perda. A cantora, voltando a privilegiar o samba no repertório, ainda se recupera da morte do amigo Emilio Santiago, em março. E o homenageia com ‘Magia do Palco’, de Altay Veloso, no álbum. 

Alcione lança novo disco que privilegia os sambas e homenageia Emílio SantiagoDivulgação


“Minha glicose foi a 42, minha pressão a 28. Ainda não consigo nem ouvir os discos dele”, entristece-se a cantora. “Nos conhecemos quando cantávamos na noite com Djavan e Leci Brandão, e ficamos amigos. Não podia arrumar um namorado que ele já queria saber quem era. Perguntava: ‘Quem é esse bofe, Alcione? Isso presta?’”.

Djavan, por sinal, está nos créditos do novo álbum, com uma parceria inusitada: ‘Ê ê’, composta com Zeca Pagodinho. “Eles me disseram que tinham feito um samba elegante para mim, e falaram: ‘Marrom, o nome é esse porque você sempre fala ‘ê ê’’.”, diz, já rindo.

‘Eterna Alegria’ tem composições de muitos sambistas, como Altay, Zeca, Arlindo Cruz (em ‘Difícil de Aturar’ e ‘Ogum Xoroquê Chorou’), Xande de Pilares (o cantor do Revelação é um dos autores do samba-rock ‘Produto Brasileiro’), Jorge Aragão (‘Por Ser Mulher’) e Serginho Meriti (‘Sentença’). “Mas tem um blues, ‘Pontos Finais’, que a Ana Carolina mandou para mim (parceria dela com Dudu Falcão e Chiara Civello). O Ed Motta tinha prometido outro, mas não mandou a tempo”.

O disco traz como bônus ‘Amor Surreal’, tema de Delzuite (Solange Badim) na recém-finalizada ‘Salve Jorge’. Mais um hit para a coleção de Alcione, que inclui um sucesso que quase nem chegou às lojas. “Acredita que eu não queria gravar ‘Garoto Maroto’?”, lembra. “Meu pai teve uma trombose quando a fita com a música chegou. Nem quis ouvir. Quando ele morreu, os autores (Franco e Marcos Paiva) me falaram: ‘Sabemos que não é o melhor momento, mas essa música é para você’. Gravei e olha o que aconteceu!”

É na memória do pai, aliás, que estão as raízes da sua música. “Ele era mestre de banda militar e foi minha maior influência”, diz, lembrando de sua infância. “Brincava de boneca, mas adorava mesmo as brincadeiras de menino. Sei soltar pipa até hoje. O que me livrou de virar sapatão foi que eu sempre gostei de bofe. Já falo grosso, né? Imagina...”, diverte-se.

Na próxima sexta, os fãs vão conhecer no Vivo Rio o repertório de ‘Eterna Alegria’ — com direito a canções ainda inéditas, como ‘Essa Gente de Mangueira’ (Toninho Geraes) e ‘A Dama e o Vagabundo’ (de Geraes e Jefferson Junior). “E vem um DVD por aí, quero fazer na Fundição Progresso”.

Com mais de seis meses de antecedência, ela já se alegra pensando também no Carnaval de 2014. “A Mangueira vai vir como tem que ser, a Portela trocou de presidência e vai apresentar um grande Carnaval. Já cheguei a ir a sete quadras de escola de samba numa noite. Hoje não dá mais”.

Morando no Recreio dos Bandeirantes, Alcione sai pouco — e para sua festa junina anual, hospedou quase 20 pessoas, entre amigos e parentes do Maranhão. “Fico com medo de assaltos e não deixo ninguém sair, daí brincam que minha casa parece Pedrinhas, uma penitenciária conhecida lá do Maranhão. Vê se pode?”, brinca.

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