Por daniela.lima

Rio - Cmo qualquer gênero musical, o samba tem seus heróis. E os que batalham por ele às escondidas. A luta do Centro Cultural Cartola (CCC), que lança neste sábado, às 17h, o primeiro caderno de depoimentos do projeto ‘Memórias do Samba’, é para dar visibilidade não apenas aos grandes nomes do estilo, mas a todos os que carregam sua bandeira no Rio de Janeiro. 

O projeto ‘Memórias do Samba’ traz depoimento de Nelson SargentoBanco de imagens


“No nosso primeiro número, por exemplo, temos depoimentos de Dona Ivone Lara e Nelson Sargento, além de Mestre Molequinho, do Império Serrano, Djalma Sabiá, do Salgueiro, entre outros”, afirma Nilcemar Nogueira, coordenadora de projetos no CCC e neta de Cartola. Ela promove o lançamento do caderno, que é uma edição especial da ‘Revista Samba’, na sede do Centro, na Mangueira.

“Queremos que as pessoas conheçam as escolas e suas peculiaridades. O Império Serrano era de uma região repleta de estivadores . Já a Portela sempre teve uma consciência muito grande da importância do samba para a cidade. Tanto que fazem a Feira das Yabás, que, entre outros aspectos, traz um pouco da culinária do samba, mostrando a tradição em sua essência”, relata.

A ‘Revista Samba’ é uma parceria do CCC com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. As ‘Memórias’, por sua vez, retornam em outra edição, programada para o fim do ano. O enfoque, dessa vez, será nas mulheres do gênero musical.

“Há histórias de pessoas que abdicaram de uma série de coisas para viver o samba, e isso aconteceu, por exemplo, com a Dona Zica, viúva de Cartola. Ela largou o trabalho regular que tinha para dedicar-se à Mangueira. Perdeu inclusive o dinheiro da contribuição previdenciária”, recorda Nilcemar.

A neta de Cartola reafirma a importância do CCC para a documentação da história coletiva do samba. “Recebemos peças de roupas e fotografias dos sambistas. As escolas têm que trabalhar a memória. É uma pena ver que, após os desfiles, algumas fantasias são destruídas”.

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