Por tabata.uchoa
Adriana Calcanhoto reúne poesias em livro para o público infantilLeonardo Aversa

Rio - Antoine de Saint-Exupéry, autor de ‘O Pequeno Príncipe’, clássico da literatura infantil, escreveu: “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças (mas poucas se lembram disso)”. Aos 47 anos, Adriana Calcanhotto — Partimpim, para a galerinha — está com a memória em dia. Após gravar três discos dedicados aos pequenos, a cantora lança, hoje, o livro ‘Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira: Para Crianças de Qualquer Idade’ (ed. Casa da Palavra, 136 págs., R$48,90).

“Procurava tanto um livro assim nas prateleiras que, de tanto não achar, resolvi fazê-lo eu mesma”, conta Adriana. Na obra, ela reúne textos de poetas do século 19 ao 21. Tem Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Olavo Bilac, Mário Quintana, João Cabral de Melo Neto, Paulo Leminski e até Gregório Duvivier. Tanta pesquisa que, na hora da edição, foi difícil decidir aquelas que ficaram de fora. “Doeu muito. Como ficar com apenas dois poemas de Vinicius de Moraes, por exemplo?”, reclama.

Ela, no entanto, não consegue apontar alguma preferência. “Gosto muito dos poemas que, inicialmente, não foram escritos para crianças, mas dos quais elas podem desfrutar. O mesmo acontece nos discos e shows da Partimpim, onde nem todo o repertório foi escrito com endereço infantil. Mesmo assim, as crianças curtem e muito”.

Nas páginas do livro, cada poema ganhou os traços e as cores de ilustrações feitas por Adriana. “Só tive o cuidado de deixar espaço para a imaginação do leitor, sem intenção de explicar ou enfeitar a obra”.

Curiosidade: no prefácio, Adriana explica que a inspiração para a antologia veio de uma pergunta lançada pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, no texto ‘A Educação do Ser Poético’: “Por que motivo as crianças, de modo geral, são poetas e, com o tempo, deixam de sê-lo?”.

Adriana tem uma teoria: “Acho que todo mundo tem uma criança dentro de si, sendo que alguns se divertem com ela e outros a esquecem. Creio que a poesia é um importante meio para mantê-la viva”. E ela se lembra bem de quando se apaixonou pelo mundo das letras. “Ainda criança, li alguns livros que minha tia, Titilita, me passava. Mas quando ‘A Mulher Que Matou os Peixes’, de Clarice Lispector, caiu na minha mão, minha vida nunca mais foi a mesma. Eu tinha 9 anos”.

Que Adriana nunca deixou de ser criança, todo mundo sabe. Mas será que ela sonha se tornar mamãe? “Adriana mamãe seria sufocadora, eu acho. Por isso é que resolvi não ter filhos (risos)”, se diverte.

LANÇAMENTO
A autora fará manhã de autógrafos hoje, às 11h, no Instituto Antonio Carlos Jobim, no Jardim Botânico. Lá, ainda cantará algumas músicas, como ‘A Casa’, de Vinicius de Moraes, e ‘Fico Assim Sem Você’, de Claudinho e Buchecha. A entrada é gratuita. Mais tarde, um novo encontro: a noite de autógrafos será na Livraria Argumento, no Leblon, a partir das 16h.

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