Por tabata.uchoa
Padre Jô adora Caetano e Milton%3A ‘É preciso unir o sacro ao profano’Elaine Carlsson

Rio - ‘Compasso’, parceria de Angela Ro Ro e Ricardo Mac Cord lançada por ela em 2006, relata uma profunda mudança pessoal (“amo a vida a cada segundo/pois para viver eu transformei meu mundo”). E ganha sentido divino hoje, no show que Padre Jô faz no Teatro Municipal de Niterói, às 19h. Com seis discos lançados, ele inova unindo a música popular brasileira a seu repertório católico.

“A música veio num momento de transformação da Angela. Ela não virou uma santa. Só buscou uma forma diferente de viver”, afirma o Padre Jô, ou Josumar dos Santos, mineiro de Conselheiro Lafaiete, fã de nomes como Beto Guedes (em cujas músicas vê muita religiosidade), Caetano Veloso e Milton Nascimento. “Ensaiei ‘E Vamos À Luta’, de Gonzaguinha, também. E adoro ‘Trem das Cores’, do Caetano. É preciso unir o sacro ao profano. Há músicas do dia a dia com mensagens lindas de paz e solidariedade”. No show, há músicas próprias como ‘Humano’ e ‘Rainha do Brasil’, além de uma versão da ‘Ave Maria’.

Criado num ambiente religioso, Jô, que celebra missas desde 2005 na Paróquia São Francisco Xavier, em Niterói, sempre teve “desejo de doar a vida, mesmo nos momentos de maior questionamento”.

Ele não esconde a felicidade pela Jornada Mundial da Juventude e pela chegada do Papa Francisco. “Com seu jeito humilde, ele conquista o jovem. E aprofunda o trabalho sério feito por Bento XVI contra a pedofilia”.

Padres-artistas estão sujeitos a muito assédio. Jô se diz seguro em relação à sua escolha de vida. “Fiz uma opção e isso envolve renúncias. Não preciso nem me manter afastado em relação às mulheres”, afirma o religioso.

Ele também não vê com bons olhos ondas conservadoras como a da ‘cura gay’: “É perigoso ter juízos definidos sobre tudo. Deve haver tolerância e respeito pelas opções de cada um”.

Você pode gostar