Por helio.almeida
Vinícius de MoraesReprodução Internet

Rio - Muitas coisas lembram Vinicius de Moraes: bossa nova, poesia, uísque, a paixão pelas mulheres, Ipanema... Mas outras particularidades do Poetinha começam a ser reveladas agora, no ano de seu centenário, comemorado em outubro. Dois livros recentemente lançados — ‘100 Vinicius 100’ (BB Editora; 270 págs; R$ 49,90), de Alex Solnik, e ‘Jazz & Co (Companhia das Letras; 152 págs; R$ 58), de Eucanaã Ferraz — , e um ainda a ser publicado, ‘Pois Sou Um Bom Cozinheiro’ (Companhia das Letras), organizado por Edith Gonçalves e Daniela Narciso trazem à tona facetas pouco conhecidas do compositor.

Quem diria que ele tinha gostos estranhos, como tomar café gelado, chamar a todos pelo diminutivo e que uma das únicas coisas que o tirava do sério era a falta de pontualidade. Essas e outras histórias são contadas por sua última mulher, Gilda Mattoso, e amigos íntimos, como o poeta Ferreira Gullar, a cantora Nana Caymmi e o arquiteto Oscar Niemeyer, que traçam um retrato da personalidade do compositor em ‘100 Vinicius 100’. “Escolhi os 15 amigos mais próximos que quiseram falar”, explica Alex, que começou as fazer as entrevistas há dez anos.

Em um dos trechos do livro, o jornalista Sergio Cabral fala do senso de humor e das histórias escatológicas que o compositor adorava contar: “Uma delas era assim: ele estava numa casa... ficou bêbado, dormiu na sala... estava trancado... fez cocô numa gaveta e se limpou com um gato angorá...”. O gosto pela culinária, outra curiosidade revelada nas entrevistas de Alex, é o tema do livro ‘Pois Sou um Bom Cozinheiro’, previsto para chegar às livrarias ainda este mês. A publicação reunirá receitas feitas na casa de Vinicius, além de pratos e petiscos de lugares que ele frequentava.

Apesar de ser pública a paixão de Vinicius pelo jazz, pouco se sabe sobre a fase que ele conviveu com músicos como Louis Armstrong, Billie Holiday e Sarah Vaughan, em Los Angeles, onde viveu como diplomata, nos anos 50. Eucanaã Ferraz mergulhou fundo nesse tema em ‘Jazz & Co’ e conta como o compositor ficou camarada de outro famoso fã de jazz, o cineasta Orson Welles.“Silvana de Moraes, filha de Vinicius, sempre me falou que passou a infância em Los Angeles ouvindo muito jazz. Decidi recuperar os textos dele sobre esse gênero musical e fazer o livro”, conta o autor.

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