Por helio.almeida

Rio - O Brasil vive um momento especial no mercado de animação. Pela primeira vez, quatro longas nacionais serão lançados no mesmo ano. Mesmo assim, o animador paulista Alan Camilo não se arrepende de ter trocado o seu país pelo Canadá, onde mora há oito meses, período em que trabalhou em ‘Os Smurfs 2’, da Sony Pictures, que acaba de estrear por aqui.

Animador diz que o mercado vive um bom momento%2C mas pode melhorarDivulgação

“Assisti muito aos desenhos dos Smurfs quando era criança. Trabalhar nessa animação foi ainda mais legal por isso. No Brasil, o governo tem incentivado o mercado da animação nacional. Mas, para os longa-metragens, ainda falta indústria”, avalia Alan.

Em tempo de ‘Anima Mundi’ rolando a todo vapor em solo carioca, a mineira Aída Queiroz, uma das idealizadoras do festival de filmes de animação, dá o seu parecer: “A escola canadense é muito forte, uma referência no assunto. Para chegarmos lá, só com o tempo mesmo”.

Se o amadurecimento só vem com o passar dos anos, alguns dados indicam que estamos no caminho certo. “Até 1993, a história da animação no Brasil somava pouco mais de 700 filmes. Hoje, para você ter uma ideia, temos uma média de 300 produções nacionais inscritas anualmente no ‘Anima Mundi’”, revela Aída.

Mas parece que a charmosa Smurfette, protagonista de ‘Os Smurfs 2’, conquistou Alan de vez. Nem mesmo a boa fase da animação no Brasil o faz pensar em voltar. Com 32 anos, ele carrega em seu currículo filmes como ‘O Bicho Vai Pegar 3’, também da Sony Pictures, e conta que desde os 15 já queria ser animador. “Agora que consegui trabalho no Canadá, não penso em voltar ao Brasil”, afirma.

Há uma década no mercado, o animador conta que já ralou bastante para chegar onde está e que nem sempre foi fácil arranjar emprego. “Mas, no Brasil, já fiz coisas que curti demais também, como ‘Turma da Mônica em uma Aventura no Tempo’, do Mauricio de Sousa, de quem sou fã”, recorda-se.

“O Brasil é assim, só investimos em algo quando a demanda aparece. Como agora, momento em que as escolas de animação começam a surgir por aqui”, conclui Aída.

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