Por tabata.uchoa

Rio - ‘Meus músicos nem vão estar no palco. Só eu e o Sepultura. Estou bem enterrado com eles”, brinca Zé Ramalho. Em 22 de setembro, o cantor nordestino e o grupo de heavy metal encontram-se no Palco Sunset do Rock in Rio. Mas que ninguém imagine Zé soltando a voz em hits do grupo como ‘Dead Embryonic Cells’.

“Ele vai fazer ‘Ratamahatta’ com a gente. É uma canção (do disco ‘Roots’, de 1996) cuja letra é num português criado pelo Carlinhos Brown”, diz o guitarrista Andreas Kisser. “Por enquanto é a única nossa, mas os ensaios ainda não aconteceram. Queremos fazer canções dele como ‘Jardim das Acácias’”.

Sepultura (a partir da esquerda%2C Eloy%2C Andreas%2C Derrick e Paulo Jr) faz show com Zé Ramalho (C) no festivalJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

De certa forma, o rock sempre esteve ao lado de Zé Ramalho. “Fui arrastado para a música pelo rock”, lembra. “Quando jovem, ouvi Beatles no rádio e aquilo me deu uma agonia, uma vontade de tocar... Depois é que descobri a música nordestina”.

Sepultura e Zé Ramalho aproximaram-se em 2003, quando recriaram a lisérgica ‘Dança das Borboletas’ (de Zé e Alceu Valença) para o filme ‘Lisbela e o Prisioneiro’, de Guel Arraes. A música será apresentada no festival.

“Foi tudo feito na hora. O Derrick (Green, vocalista da banda) começou a berrar umas palavras em inglês e parecia que o mundo ia desabar!”, diverte-se Zé. O Sepultura estará também no Palco Mundo, no dia 19, com o Tambours du Bronx. E pela primeira vez o Rock in Rio tem duas noites do estilo. “Mas ainda existe muito preconceito contra o heavy metal, que nunca é lembrado para eventos como o ‘Criança Esperança’. Ele tem um público numeroso, que vota, tem influência”. Zé Ramalho concorda e lamenta: “Os programas de TV estão muito voltados para a música que toca em novelas”.

O disco novo

Em outubro, o Sepultura lança seu 13º CD, ‘The Mediator Between the Head and Hands Must Be the Heart’, precedido de uma regravação de ‘Da Lama ao Caos’, de Chico Science & Nação Zumbi, cujo single será lançado para o Rock in Rio. A produção é de Ross Robinson (Korn, Slipknot) e traz a estreia em estúdio do baterista Eloy Casagrande.

“O nome foi tirado do filme ‘Metropolis’, de Fritz Lang , e representa o que a gente vive hoje. Estamos cada vez mais robotizados”, diz Andreas. O Sepultura também lança em breve um documentário com sua história. Ao O DIA, o ex-vocalista Max Cavalera disse que vai dar seu depoimento. “Bom, o que ele é e o que ele diz na imprensa são coisas diferentes. Mas esperamos que ele e a Gloria (mulher de Max e ex-empresária) falem. Ela foi fundamental para a banda”, diz Andreas.

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