Por helio.almeida

Rio - Tem cheiro de pipoca rolando no ar. Mas, nas principais salas de cinema do Rio, o gostinho que tempera os lançamentos da sétima arte pode ficar diferente. É que a Yoki Alimentos deixou de fornecer milho para as redes Cinemark, UCI, Kinoplex e Cinépolis — a Coroados, marca controlada pela empresa e então responsável pelo serviço, deixou de existir. A notícia assustou quem não consegue sentar na poltrona sem saborear as branquinhas.

"Vamos ter que levar pipoca de casa?”, pergunta a advogada Viviane Medeiros, 27 anos. “Se a pipoca de milho acabar, vou enlouquecer! Sou completamente viciado. Cinema sem pipoca não é cinema”, lamenta o veterinário Ricardo Tavares, 49.

Enquanto isso, os cinemas garantem que não vão ficar um dia sequer a guloseima. Segundo o Cinemark, a rede já tinha outros fornecedores. Já UCI, Kinoplex e Cinépolis esclarecem que fecharam contrato com outras empresas — não informam quais, entretanto.

Nelsinho da pipoca e sua carrocinhaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Uma coisa é certa: as bonbonnières terão que se adequar aos novos produtos. “Há milhos que podem deixar a pipoca mais dura. Outros, mais macia. Por isso, é preciso saber regular o fogo”, explica Antonio Nelson Gonçalves, da Pipoca do Nelsinho. Num dos carrinhos mais famosos do Rio, na Cinelândia, com direito até a Disk-Pipoca, ele oferece sabores e preços variados — os saquinhos abertos vão de R$ 2,50 a R$ 5; e os fechados (para viagem ), de R$ 3 a R$ 6.

Nos cinemas, o tira-gosto fica mais salgado. No Cinemark Botafogo, no Praia Shopping, os preços variam de R$ 6,50 (pequena) a R$ 14,25 (pipoca mega doce). “Nosso lucro é quase todo praticamente da pipoca e do refrigerante”, explica Thais Lima, gerente da bonbonnière, que, no sábado, vende um total de 125 kg de milho — no domingo, as vendas já chegaram a 250 kg.

A pipoca é cultura de rua. Não precisa estar no cinema”, opina a administradora Cristina Paulino, 54, que na última sexta-feira acompanhava o neto João Vitor Paulinho, 4, em uma das salas da cidade.

“O que importa é que a pipoca esteja fresca e crocante, independente da marca”, conclui o professor Lauro Basile, 53.

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