Por daniela.lima

Rio - Não foi preciso muito esforço na busca por uma fonte de inspiração. A ideia veio de uma imposição casual, inesperada. Depois de dois graves impedimentos físicos sucessivos, Rodrigo Pederneiras acabou encontrando na adversidade o tema para o novo espetáculo do Grupo Corpo. Atrasado, com a perna imobilizada e o braço esquerdo em recuperação de uma cirurgia recente, o coreógrafo fez nascer ‘Triz’, que estreia neste domingo no Theatro Municipal. 

Cabos de aço compõem o cenário simples, limitando a entrada dos bailarinos por três fendas no palco Divulgação


“Começamos a pensar a coreografia num período em que, normalmente, os bailarinos já estão ensaiando. Diante de todos os imprevistos, levantamos a questão: ‘Qual será o nosso limite?’. Assim, surgiu ‘Triz’”, explica o coreógrafo, entre risos.

Não haveria nome melhor para o novo espetáculo da companhia de dança mineira. Embalados pela trilha polirrítmica de Lenine — construída apenas com instrumentos de corda —, no palco, os 21 bailarinos evocam momentos de risco, aqueles em que parecemos suspensos por um fio, equilibrados sobre um complexo tudo-nada.

Cabos de aço com pouco mais de cinco metros de altura compõem o cenário, limitando a entrada e a saída dos bailarinos por três fendas assimétricas no palco. Com malhas em preto e branco que “dividem” os dançarinos ao meio, o figurino simples cria novos seres, com o movimento dos corpos.

Oposta a ‘Triz’ — “solta e sensual, além de cheia de cor”, nas palavras de Pederneiras —, a coreografia ‘Parabelo’, de 1997, abre o programa da temporada que se estende até quarta-feira, no Rio. Carro-chefe da companhia, o trabalho com temática nordestina tem trilha sonora assinada por Tom Zé e José Miguel Wisnik.

THEATRO MUNICIPAL. Praça Marechal Floriano s/n°, Centro (2332-9191). Domingo, às 17h. Segunda a quarta, às 20h. De R$ 50 a R$ 100. Livre.

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