Por tabata.uchoa

Rio - Entrou silenciosa, de forma quase sorrateira. Num canto da sala do amplo apartamento no Flamengo, Bibi Ferreira ajeitava delicadamente os cabelos. No espelho, a imagem da atriz tinha como fundo a vista privilegiada para o Pão de Açúcar. “Isso aqui é espetacular, não é? Não dá nem vontade de sair de casa”, apontou, num gesto circular com as mãos. Não é bem o que parece. Aos 91 anos, a diva do teatro brasileiro pensa em horizontes profissionais ambiciosos, para além da paisagem enquadrada pela janela. E, para isso, não para de trabalhar.

‘As duas piores coisas na vida são%3A dentista e posar para fotografia’%2C brincou a atriz antes de ser clicada em seu apartamento%2C no FlamengoJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Em comemoração aos 30 anos em que deu vida, pela primeira vez, ao mito da canção francesa Edith Piaf, a atriz sobe aos palcos do Teatro Oi Casa Grande, nesta sexta-feira, com o espetáculo ‘Bibi Canta e Conta Piaf’. A temporada, que se estende até 6 de outubro — e depois ainda passa por Nova York —, também marca os 50 anos de morte da cantora francesa. Entre os ensaios da turnê, Bibi já prepara um projeto com músicas de Frank Sinatra, com estreia prevista para maio do próximo ano.

“A disposição para tanto trabalho não tem nada a ver com a idade. Sempre tive muita saúde. E também sempre levei uma vida muito idiota, já que não bebo, não fumo e não sou muito falante”, jura. A longa experiência com o teatro, no entanto, não é sinônimo de mais tranquilidade antes da hora agá, no palco. “Não desejo a ninguém os minutos que antecedem o contato com a plateia. O teatro é uma das poucas coisas onde você paga o produto antes de vê-lo. Outro dia, esqueci um trecho de alguma música numa das apresentações em São Paulo. Comecei a cantar ‘lá, lá, lá, lá’, e passou”, admite, entre algumas risadas.

A conversa é interrompida pela assistente, que serve chá com leite para a atriz. “Isso é um ritual diário. Faz bem para a garganta”, diz, mandando sair um dos quatro gatos (o mais novo é presente da Xuxa) que acolhe no lar dividido com a irmã. “O meu cotidiano hoje é meio bobo. “Faço a maior parte das coisas na cama: decoro textos, vejo TV e como. Mas se você quiser saber se eu tenho namorado... É claro que não, né?”, diz, bem-humorada.

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