Juliano Cazarré mostra que tem pegada em cenas de sexo no filme ‘Serra Pelada’

'Tenho que fazer a cena para ficar boa, para dar tesão em quem está assistindo', revela o ator, que contracena com Sophie Charlotte

Por O Dia

Rio - Gritinhos femininos histéricos são ouvidos a cada aparição de Juliano Cazarré na pele de seu personagem homônimo, durante a exibição para convidados do longa ‘Serra Pelada’, do diretor Heitor Dhalia, que estreia sexta-feira. Nas cenas em que ele pega Sophie Charlotte pelo braço, a encosta na parede, e os dois transam sem pudor algum, os gritos dão lugar a comentários. “Que pegada esse cara tem!”, sussurra uma espectadora. “Ah, se fosse lá em casa”, emenda outra. Cazarré, por sua vez, diz que só procura encenar o que está no roteiro com veracidade. 

Juliano Cazarré mostra que tem pegada em cenas de sexo com Sophie Charlotte no filme ‘Serra Pelada’Divulgação


“Há uma cena daquela no garimpo, todo mundo suado, com a Sophie Charlotte, que é uma gata. Tenho que fazer a cena para ficar boa, para dar tesão em quem está assistindo. Tem que ser uma trepada gostosa”, dispara o ator, que não avalia seu tipo físico como o de um galã. “Não olho para o espelho e digo: ‘Eis um galã!’. É um estereótipo que precisam, assim como o do bandido e o do mocinho. Trabalho com o que tenho. Fiz esporte a vida toda e não consigo ficar sem fazer. Mas não fico medindo o corpo, nada disso”, esclarece.

No longa, que recria o movimento de corrida ao ouro no Pará, na região conhecida como Serra
Pelada, entre o final da década de 1970 e o início dos anos 80, os amigos Juliano e Joaquim (Júlio
Andrade) deixam São Paulo para tentar a vida no garimpo. A relação dos dois, no entanto, começa a ficar estremecida após ascenderem graças ao metal precioso. “O poder revela a verdadeira face das pessoas. Se você quer conhecer alguém de verdade, dê poder a ela. Ou dinheiro, pois com grana a pessoa pode comprar o poder”, avalia Cazarré.

No dia a dia, o ator lida com questões que o fazem refletir sobre a influência que a fama e — por
que não? — o poder de um artista têm sobre algumas pessoas. “A fama me faz ser tratado como todo mundo deveria ser. Eu era maltratado antes. Hoje, fico abismado quando percebo que estou sendo bem tratado porque estou na novela. Antes de aparecer na TV, eu ia a uma padaria perto da minha casa e eram sempre estúpidos comigo. Agora, me dão bom dia e ficam de sorrisinho”, desabafa Cazarré, que ignora a glamourização da profissão. “Hoje, eu despertei às dez para as cinco da manhã, com meu primeiro filho, que acordou. O coloquei para ver TV e voltei para a cama. Às seis e meia, acordei por causa do outro e descasquei uma manga. Fiz um pão com queijo para ele e fui à padaria comprar mais pães. Ou seja, é vida real, zero glamour”, conta ele, referindo-se aos pequenos Vicente, 3 anos, e Inácio, 11 meses, de seu casamento com a bióloga Letícia Bastos.

Em relação a seu personagem no filme, Cazarré o defende e até reconhece semelhanças entre o homem do ouro e Ninho, seu papel em ‘Amor à Vida’. “São dois personagens que eu entendo a lógica, defendo e não julgo. Se eles fazem algo, é porque foram prejudicados em outras circunstâncias. Se o Juliano matou, foi porque quiseram matá-lo”, acredita. 

Sophie Charlotte protagoniza cenas quentes ao lado de Juliano Cazarré Divulgação


Wagner Moura inspirou-se em personagem da infância

Se não tivesse sido amplamente noticiada pela mídia nos anos 80, a movimentação de uma montanha em uma região conhecida como Serra Pelada, no Pará, poderia ser interpretada como um milagre divino. Mas não foi. Cem mil homens trabalharam incessantemente na mina de ouro a céu aberto como formigas em busca de alimento. Utilizando o pano de fundo do garimpo paraense, o diretor Heitor Dhalia contou a história de dois amigos que acabam se distanciando após conquistarem o tão sonhado metal.

“Quando tive a ideia do filme, pensei: ‘Por que ninguém pensou em fazer esse filme antes?’ E,
quando estava rodando, entendi o porquê. Era quase impossível de ser feito. Era muito complexo.
Foi o filme mais difícil que já realizei”, diz Dhalia, diretor de filmes como ‘O Cheiro do Ralo’
(2006) e ‘À Deriva’ (2009). ‘Serra Pelada’ custou R$ 10,5 milhões e contou com mais de dois mil
figurantes nas cenas do garimpo, recriado no interior de São Paulo.

Muitas imagens de arquivo foram misturadas às cenas do filme, que também conta com a atuação de Matheus Nachtergaele e Wagner Moura. Também produtor do longa, Moura interpreta o antagonista Lindo Rico. “Ele é inspirado na memória que tenho de infância, do sertão da Bahia. Eu conheci um sujeito, que era uma pessoa que falava baixo, falava com as pessoas com muita delicadeza. Ele era meio veado e era um matador de aluguel”, lembra o ator, que resolveu raspar parte da cabeça para ficar o mais parecido possível com o personagem de sua infância.

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