Por daniela.lima

Rio - O guitarrista, cantor e compositor mineiro Affonsinho Heliodoro permanece um talento conhecido "nacionalmente" apenas em Belo Horizonte. "Hoje, faço música independente para o público que criei lá", diz ele, que tem sete CDs gravados. Um pouco dessa história - focada na sua discografia solo - aparece em seu show desta quinta-feira no Solar de Botafogo. 

Músico mineiro Affonsinho vem ao Rio lançar novo CDDivulgação


O músico, que toca com o filho Frederico Heliodoro (baixo), Pedro Santos (teclados) e Felipe Continentino (bateria) já soltou um disco neste ano, 'Trópico de Peixes'. E lança outro ainda em 2013, 'Depois de Agora'.

"Fiz o show de lançamento do 'Trópico' e na semana seguinte peguei um excelente violão de aço fabricado por um grande luthier mineiro. Diz a lenda que cada instrumento novo traz uma música nova de presente, mas este trouxe nove canções em menos de doze dias. Então mostrei o material para a banda e resolvemos gravar. E foi mais rápido ainda", conta.

Ele recorda de uma época, entre os anos 70 e 80, em que artistas novos de Minas não tinham muita chance ("não davam força para nomes pós-Clube da Esquina"). Na década de 80, após uma série de telefonemas entre e o amigo Cacá Prates - então produtor do Ultraje A Rigor - acabou integrando o Hanoi Hanoi, banda carioca montada por Arnaldo Brandão, e que estouraria com o hit 'Totalmente Demais'. 

Pouco antes disso, em 1979, já estava compondo com Chico Amaral, saxofonista e letrista que se celebrizaria pelas parcerias com Samuel Rosa no Skank. 'Gentil Loucura', primeira música do primeiro disco do Skank (1992) é parceria de Chico e Affonsinho e foi composta em 1988. Também deu aulas de guitarra para Samuel quando o frontman mineiro era um adolescente de 15 anos.

"A primeira banda 'profissional' que toquei em Belo Horizonte tinha um baixista que é tio do Samuel, o Spencer Rosa. Todos eram bem mais velhos que eu, que tinha somente 18 anos na época. O Spencer me apresentou seu sobrinho, que queria aprender a tocar. Quando dei aula para ele, eu tinha 20 anos. Para ele, eu já era 'adulto', já tinha carro e uma (guitarra) Fender Stratocaster. Hoje ele conta que ficava impressionadíssimo com o 'professor'", brinca. 

Cantor faz show nesta quinta-feira no Solar de BotafogoDivulgação


"Samuel sempre foi um grande talento, principalmente como cantor e por sua atitude no palco. O mesmo talento do tio Spencer, que com um violão quebrado e com duas cordas apenas é capaz de dominar uma platéia. Pena que desistiu da música e foi ser médico em Itabira. O Samuel tem muita coisa dele". Affonsinho também apresentou o fotógrafo e jornalista mineiro Fernando Furtado a Samuel - o primeiro se tornaria empresário do quarteto.

O som de 'Trópico' surpreende por trazer uma espécie de bossa-nova mineiro-carioca, em faixas como 'A Felicidade É Senhora', 'Deixa', 'Ela Não É Triste', 'Só Pra Dançar!' e 'Nem Freud, Nem 007'. Traz participações de nomes como Celso Fonseca, Veronica Ferriani e Alexia Bontempo.

"Eu me considero meio carioca/meio mineiro. Adoro as duas cidades. Passei a infância no Rio, adolescência em BH, depois me casei no Rio e tive meu primeiro filho, que hoje toca comigo, o Frederico. Então morei muito tempo aí. Meu irmão mais velho era um tremendo conhecedor de bossa nova, meu pai de jazz. E assim fui recebendo essas influências. Acho que minhas canções são tão mineiras quanto cariocas", diz Affonsinho, que une também rock e blues em seu trabalho.

Affonsinho chegou a gravar três CDs pelo selo carioca Dubas, entre 2001 e 2009. "Escrevo muitas canções e não consigo guardá-las ou ficar esperando o 'momento certo' de lançá-las. Gravadora tem essas coisas, né? Então preferi voltar a ser independente, não dar muita bola para o mercado", diz o músico.

Solar de Botafogo. Rua General Polidoro 180, Botafogo (2543-5411). Quinta (31), às 21h30. R$ 50. 12 anos.

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