Por thiago.antunes

Rio - Quando criança, o atual baterista do Sepultura, Eloy Casagrande, 22 anos, não podia escutar a banda, então já um sucesso mundial. “Pedi um disco para minha mãe e ela disse que era um grupo do mal, que só falava de demônios. Mas hoje ela gosta deles!”, gargalha o músico, que acaba de lançar seu primeiro álbum com o Sepultura, ‘The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart’.

Eloy Casagrande%3A dividido entre rock católico e o metal do SepulturaMurillo Constantino / Agência O Dia

Vindo da banda Gloria, ele entrou para o Sepultura no fim de 2011 (“o primeiro disco que tive deles foi ‘Nation’, de 2001”). Traçou seu destino de músico de rock aos 7 anos, quando vivia em São Bernardo do Campo (SP) e ganhou uma minibateria. “Os primeiros discos que ouvi foram do Led Zeppelin, do Van Halen e do Deep Purple. E o Iggor Cavalera (ex-baterista e criador de Sepultura) é referência para mim”, diz. Eloy conta que teve contato com Monika Cavalera, empresária do Sepultura e ex-mulher de Iggor, na adolescência. “O filho dela estudava na mesma escola que eu e o coordenador deu um cartão meu para ela. A Monika lembrava disso!”.

Outras conexões com o grupo ainda viriam a acontecer. “Em janeiro de 2011, um técnico do Sepultura me viu tocando nos EUA. Depois, no mesmo ano, o Derrick Green (vocalista) me viu com o Gloria no quarto Rock in Rio”. A ex-banda de Eloy abriu o Palco Mundo, enquanto o Sepultura, ainda com Jean Dolabella na bateria, fechava o Palco Sunset com o Tambours Du Bronx, o que fez com que muitos metaleiros vaiassem impiedosamente o Gloria.“Já fomos preparados para isso”, conta.

Eloy vem de outros trabalhos importantes: tocou com o vocalista André Matos (ex-Angra e Viper) e mantém uma banda de rock católico, a Iahweh, há cinco anos. “Tem fã do Iahweh que acha que o Sepultura transmite algo ruim. Não é nada disso. As letras deles falam de revolta, das guerras”, diz o músico. Ele ri quando perguntado se bateristas, assim como guitarristas, fazem a mulherada curtir heavy metal. “Ah, não sei, estou namorando. Mas isso nem acontece no meio do metal, que tem 98% de homens como fãs”, jura.

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