Por daniela.lima

Rio - Os caminhos de João Nogueira (1941-2000) e Clara Nunes (1942-1983) se entrelaçaram várias vezes. E tornam a se encontrar por intermédio da cantora baiana Mariene de Castro, que leva hoje, às 21h, o show ‘Ser de Luz’ (com ingressos a R$ 20 e R$ 50) para o Imperator — Centro Cultural João Nogueira, dia em que o cantor completaria 72 anos. 

Imperator comemora aniversário de João Nogueira recordando Clara Nunes José Pedro Monteiro / Agência O Dia


“O João está muito marcado neste repertório, até pela presença de ‘Um Ser de Luz’, que ele e o Paulo César Pinheiro (parceiro de João e viúvo de Clara) fizeram para homenageá-la após sua morte”, conta Mariene, cruzando mais uma efeméride no show: os 30 anos de morte de Clara. “Além dos seus 70 anos, completados ano passado. Procurei remexer nas lembranças e nesse repertório com muito respeito.”

‘Um Ser de Luz’, que teve mais um parceiro — Mauro Duarte, morto em 1989 —, foi gravada originalmente por Alcione no mesmo ano da morte de Clara. “É o momento mais emocionante do meu show. As pessoas ficam com lágrimas nos olhos, tanto quem a viu ao vivo quanto quem não teve a oportunidade”, conta Mariene. Do repertório de Clara, surgem ‘Conto de Areia’ (Romildo e Toninho), ‘O Mar Sereno’ (Candeia) e outras de João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro, como ‘Guerreira’.

A dupla também fez uma outra homenagem a Clara, ‘Mineira’ — esta, em vida, gravada inclusive por João Nogueira em seu álbum ‘Vem Quem Tem’ (1975) e regravada pelo filho do sambista, Diogo Nogueira — nascido em 1981, dois anos antes da morte da cantora. “Clara Nunes era muito amiga da minha família, quase parente”, recorda o sambista.

Foi Clara quem apresentou João à mãe de Diogo, Ângela. Além de recordar ‘Mineira’, Diogo considera ‘Um Ser de Luz’ uma das mais belas homenagens já feitas na história da MPB. “Clara era uma pessoa muito especial, que frequentou muito a minha casa e me viu nascer. Pena que não tive a oportunidade de ter um contato maior com ela, que se foi muito cedo.”

Diogo lembra que seu pai adorava comemorações. “Era uma das pessoas mais festeiras que conheci. As festas lá em casa duravam até três dias. Eu ia dormir e o couro estava comendo, e quando eu acordava, a música ainda acontecia e só os convidados mudavam. Enquanto uns saíam, outros chegavam. Ele sempre comemorou todos os aniversários e com grandes festejos”, conta ele, que lembra especialmente da festa de 50 anos do pai, que aconteceu no campo de futebol do Chico Buarque. “Como no jogo do bicho, o número 50 é o galo, foram atrás de um galo velho para cozinhar. Sempre tinha uma comida diferente envolvida, como o famoso Caruru do João Nogueira, que fez história e muita gente comeu”, recorda Diogo.

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