Rico, Crô, o mordomo de ‘Fina Estampa’, agora faz rir na tela do cinema

'A partir do momento em que comecei o roteiro, esqueci a novela e criei uma nova história', diz Aguinaldo Silva, que assina a história do filme

Por O Dia

Rio - O servo da Deusa do Nilo voltou. Agora ele não é um simples mordomo — é rico e tem
todos os holofotes voltados para si em sua versão cinematográfica. ‘Crô — O Filme’, com estreia prevista para o dia 29, marca o retorno do personagem que roubou a cena na novela ‘Fina Estampa’, de Aguinaldo Silva, exibida até o início do ano passado pela Globo. O autor, por sua vez, volta a escrever para o cinema após quase 20 anos. 

Rico e à procura de uma nova patroa%2C Crô%2C o mordomo de ‘Fina Estampa’%2C agora faz rir na tela do cinemaDivulgação


“Você viu o filme? Qual foi a reação do pessoal na sala de cinema? Riram?”, pergunta Marcelo Serrado, sem disfarçar a ansiedade, durante a entrevista. “Não tinha ideia de que o Crô tomaria essa proporção. Ele chegou no mesmo patamar de personagens como Odete Roitman e Carminha”, compara o ator.

Mas, ao contrário das ilustres vilãs, o mordomo é incapaz de fazer mal a uma mosca. Mesmo assim, adora bajular uma perua malvada. Foi assim com Tereza Cristina (Christiane Torloni) no folhetim e também é assim no filme, dirigido por Bruno Barreto. 

Carolina Ferraz é a perua que explora a mão de obra escrava e é forte candidata à nova deusaDivulgação


Após herdar a fortuna de sua antiga ‘rainha soberana’, Crô tenta ser cantor, cabeleireiro, estilista... Até que aceita que sua real vocação é servir. Pronto: o mordomo começa uma série de entrevistas com socialites, todas candidatas a ser a sua próxima Deusa do Nilo. “É importante lançar o filme agora, pois a história ainda está fresca na cabeça do público”, avalia Serrado.

A corrida contra o tempo para levar o filme às salas de cinema ainda este ano resultou
em R$ 2 milhões negativos aos cofres da produção. “Sofremos preconceito. Os patrocinadores que procuramos diziam que não queriam sua imagem ligada a um personagem gay”, revela a produtora Paula Barreto sobre o longa, que consumiu R$ 5,2 milhões.

Se mordomo não conquistou a admiração de muitos patrocinadores, o mesmo não aconteceu
com o grande público — principalmente o infantil. “É uma loucura! As crianças amam, imitam o Crô, mas sem preconceito. É que ele é engraçado, né?”, arrisca Serrado. “Nunca sofri represália por interpretar um gay, já o Aguinaldo, por ter criado o personagem, sim”, diz o ator. “Na época da novela, um cara me parou na rua e discutiu comigo durante horas. Como gay, ele não se sentia representado pelo Crô”, lembra Aguinaldo, que está todo prosa por voltar a produzir textos para o cinema. 

No filme%2C Ivete Sangalo é a mãe de Crô%2C que só aparece em sonhoDivulgação


“Gosto um pouco menos de escrever para novelas, mas é o que me faz conhecido”, pondera
o escritor, que já teve outros dois personagens seus adaptados para o cinema (Giovanni
Improtta, de ‘Senhora do Destino’, e Lili Carabina, de um episódio de ‘Plantão de Polícia’), mas só assina o roteiro de ‘Crô — O Filme’. “Novela é como uma fábrica de pizza. Está sempre saindo uma do forno”, compara Aguinaldo, reclamando da falta de tempo imposta pela televisão.

“A partir do momento em que comecei o roteiro, esqueci a novela e criei uma nova história”, diz Aguinaldo, que só manteve Alexandre Nero, Kátia Moraes e Carlos Machado no elenco da comédia, que também tem Carolina Ferraz (perua que explora a mão de obra escrava e forte candidata à nova deusa) e Ivete Sangalo (como a mãe do Crô, que só aparece em sonho), além das participações especiais de Ana Maria Braga (que entrevista o mordomo) e Gaby Amarantos (que quer contratá-lo).

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