Por daniela.lima
Rio - Imagina o rei do soul norte-americano James Brown se jogando em uma roda de samba em Vaz Lobo, na Zona Norte carioca? É mais ou menos por aí o som da Banda Black Rio, que surgiu no subúrbio do Rio nos anos 70, época que a música negra tinha uma excelência muito grande. E o melhor exemplo dessa mistura única de jazz, funk e soul com ritmos brasileiros é seu célebre disco de estreia, o raro ‘Maria Fumaça’, de 1977, relançado agora em vinil de 180 gramas (com melhor qualidade de áudio) pela Polysom, gravadora de discos de vinil de Belford Roxo. 
Capa do disco 'Maria Fumaça'Divulgação


“Fomos tocar na Europa recentemente e lá eu vi vendendo um LP desses por 300 euros (cada bolacha nova da Polysom sai a R$ 79,90)”, espanta-se o tecladista William Magalhães, filho do fundador da banda, o saxofonista Oberdan Magalhães (a formação original se desfez quando Oberdan morreu, em 1984, em um acidente de carro). “É importante este LP estar novamente em voga, para conscientizar os brasileiros sobre a relevância desse nosso patrimônio cultural, que, infelizmente, é mais reconhecido no exterior”, lamenta ele. 

Atualmente, é William quem toca a Black Rio e, à frente da nova formação fez muita gente chacoalhar com uma homenagem a James Brown no encerramento do festival Back2Black, no último dia 17. “Músicas do ‘Maria Fumaça’, como ‘Mr. Funky Samba’ e a própria faixa-título (que foi tema de abertura da novela ‘Locomotivas’, da Globo), a gente não pode deixar nunca de incluir no repertório”, ressalta o tecladista.

“A banda influenciou até grupos como o inglês Jamiroquai, que já declarou isso, e no hip hop quase todo mundo foi influenciado pela Black Rio”, derrete-se William, anunciando que vêm mais lançamentos por aí. “Fizemos um disco que saiu só la fora, o ‘Super Nova Samba Funk’, com Caetano Veloso, Gil, Seu Jorge e Elza Soares, que em 2014 finalmente vai ser lançado no Brasil”, comemora ele.