Por daniela.lima

Rio - Panmela Castro tem a voz calma, num ritmo suave. Quando o assunto é a inauguração da sede da ONG Nami, fundada pela grafiteira em 2010, a fala adquire tons mais exaltados. Hoje, às 15h, a organização que promove o direito das mulheres a partir da arte de rua ganha um espaço oficial no número 283 da Rua Tavares Bastos, no Catete. Haverá pintura coletiva de um muro e ainda uma partida de futebol feminino. 

Entre os muros da cidade: Panmela Castro dá fins pedagógicos à arteDivulgação


“Nossa ideia é criar um polo cultural de grafite para discutir as questões de gênero. Qualquer um pode contribuir com a pintura do muro pelo fim da violência doméstica. É só chegar”, convida Panmela, mais conhecida por Anarkia Boladona, apelido adquirido na adolescência, quando pichava pelas ruas de Itacuruçá, na Costa Verde.

Aos 32 anos, ela mantém a rebeldia da juventude (“contra a educação clássica dos pais”), que se traduz num constante inconformismo com todas as relações de poder contra as mulheres. “A violência doméstica é menos um problema pessoal e mais um problema social. A formação do homem brasileiro é machista”, opina a grafiteira, que, depois de ser duramente agredida pelo marido, aos 24 anos, resolveu levar para as escolas estaduais do Rio um debate pedagógico sobre a Lei Maria da Penha.

“Aquela velha máxima ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’ já não serve mais. As pessoas precisam conhecer os seus direitos”, declara. No ano passado, ao lado da presidenta Dilma, a carioca foi escolhida pela revista norte-americana ‘Newsweek’ como uma das 150 mulheres que fazem a diferença no mundo. Na cerimônia de homenagem, a emoção era tanta que mal conseguiu trocar uma palavra com Oprah Winfrey. “Aqui, não temos noção do quanto o nosso trabalho é grande. Depois, em viagens por outros países, conheci projetos que são influenciados pela Nami. E isso é muito bom!”, comemora.

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