Harvey Keitel entra no clima carioca

Ator está na cidade para as filmagens de ‘Rio Eu Te Amo’

Por O Dia

Rio - O ator americano Harvey Keitel toma açaí todos os dias, desde que chegou aqui para as filmagens de ‘Rio Eu Te Amo’, terceiro filme da série ‘Cities of Love’. Hospedado com a família no Hotel Fasano, em Ipanema, ele se diz encantado com a cidade, cenário da oitava das dez histórias que se interligam no longa-metragem, previsto para ser lançado no segundo semestre de 2014.

“Vocês são muito sortudos de morar aqui!”, diz Harvey. Mas quando o assunto é o seu personagem, ele faz mistério: “Aposto que vão gostar da história, pois a Nadine Labaki é uma roteirista incrível”, desconversa, mantendo o suspense sobre o papel, um ator que vem ao Brasil à trabalho. Já o produtor Leonardo Barros, da Conspiração Filmes, é menos radical.

O americano Harvey Keitel é uma das estrelas do filme ‘Rio Eu Te Amo’Reprodução Internet

Ao lado da libanesa Nadine, que também dirige e atua, Leonardo entrega que as cenas do americano falam sobre milagre. Durante uma emergência, o personagem de Harvey precisa usar um orelhão, mas é impedido por uma criança, que aguarda a ligação de Jesus Cristo.

“‘Rio Eu Te Amo’ é sobre a vida das pessoas que moram aqui”, diz o idealizador do projeto, o francês Emmanuel Benbihy. E é justamente a rotina carioca que parece ter conquistado o ator americano, que tem praticado ioga diariamente em Ipanema.

Sem deixar de sorrir o tempo todo, ele mostra que o que mais gosta é de falar sobre as muitas histórias que acumulou no decorrer de seus 50 anos de ofício como ator. “Adoro”, exclama. “Na década de 60, eu só pensava em acumular experiências e fui fazer um teste para o primeiro filme do Martin Scorsese. Entrei na sala, ele disse: ‘Senta aí’, nesse tom (faz voz grossa). Aí eu falei: ‘Quem você pensa que é?’”, lembra, já sem conter o riso. “Começamos a brigar e a nos xingar, até ele parar e me explicar que aquilo era uma improvisação, fazia parte do teste”.

O inusitado encontro rendeu uma parceria e amizade que perduram até hoje, além de papéis que alavancaram sua carreira, em filmes como o clássico ‘Táxi Driver’, onde contracenou, com Robert De Niro, no ano de 1976.

“Quando ainda estava começando, fui pedir um papel para o Antonioni. Entrei na sala onde ele estava e ele perguntou se eu conseguia atravessar o local e abrir a janela sem pensar em absolutamente nada. Respondi: ‘Não’”, conta Harvey, que faz uma pausa e completa: “Então, ele me disse que eu podia ir embora. Demorou três décadas até que nos reencontrássemos”. Na ocasião, o ator perguntou se o diretor se lembrava do ocorrido e a resposta foi: ‘Sim e eu adorei’. “Poxa, e passei 30 anos o odiando por isso!”, diz ele aos risos.

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