Por nara.boechat

Rio - Namoro, amigos, não ser reprovado no colégio, afirmar sua própria identidade. Aos 15 anos, essas são preocupações recorrentes na vida da maioria dos jovens. Não para Sophia Abrahão. Nessa idade, ela já estava saindo de casa para seguir a carreira de modelo e sua rotina incluía trabalhar para pagar o próprio aluguel. Hoje, aos 22, ela tem o gostinho de voltar no tempo na pele de Tina, a mais velha de quatro irmãs, em ‘Confissões de Adolescente’, que, após sucesso no teatro e TV, nos anos 90, estreia sua versão para o cinema em 10 de janeiro. “Mesmo na ficção, poder voltar atrás e viver coisas normais dessa fase é muito gostoso!”, confessa a atriz.

Sophia Abrahão posa ao lado de Maria Mariana%2C autora de ‘Confissões...’João Laet / Agência O Dia

Mas, se para Sophia os temas da adolescência fugiram ao padrão, há gerações eles giram em torno das mesmas coisas para grande parte dos jovens. Eles se dividem entre o primeiro beijo, a perda da virgindade, e outras descobertas vividas pelas atrizes Bella Camero, Malu Rodrigues e Clara Tiezzi, irmãs de Sophia no filme dirigido por Daniel Filho. As quatro são filhas de Paulo (Cassio Gabus Mendes) e têm entre 14 e 20 anos, na trama.

“Atualmente, o que muda é a idade entre esses acontecimentos. Estamos descobrindo as coisas cada vez mais cedo”, arrisca a ex-modelo. Maria Mariana, autora da história original e intérprete do mesmo papel de Sophia durante a década de 90, concorda: “Pois é, eu achava que tinha saído cedo de casa, aos 19, mas com ela aconteceu aos 15!”, comenta Mariana, hoje com 40 anos e mãe de quatro meninas. “Um dia desses, minha filha estava vendo um filme e disse: ‘Mamãe, eles vão transar agora’. Eu falei: ‘Para tudo!’ Olha, ela só tem 6 aninhos, como vou falar de sexo? Mas vou sumir com ela do mundo? Isso passa às 15h na televisão!”, questiona-se ela.

Mas a influência da televisão ganhou um grande concorrente entre as novas gerações: a internet. É nisso que aposta o roteiro do filme, assinado pelo jovem Matheus Souza, de 25 anos. Se há 20 anos as confissões dos adolescentes eram guardadas a sete chaves em diários — como o que inspirou a autora da história original —, atualmente, são as mídias sociais que se encarregam disso e não escondem nada de ninguém. Pelo contrário: neste meio, a palavra de ordem é compartilhar.

“Acho que se confessar é algo terapêutico, cura. Eu me sentia muito extraterrestre e ainda sinto isso um pouco (risos). Então, ‘Confissões’ me dava esse espaço, eu podia falar. Aí virou sucesso e percebi que existiam outros ‘extraterrestres’ como eu nesse planeta”, explica Maria Mariana, rebatida por Sophia: “Engraçado, o meu diário é praticamente o meu Instagram, meu blog... Já tive fotolog uma época também, mas escrever um diário, isso eu nunca fiz!”

Maria Mariana (E)%2C Daniele Valente%2C Georgiana Góes%2C Deborah Secco%2C Sophia Abrahão%2C Malu Rodrigues%2C Bella Camero e Clara TiezziDivulgação

Aliás, quando Maria Mariana resolveu abrir o verbo há duas décadas, não imaginava que as questões adolescentes continuariam a acompanhá-la até hoje. Dirigida por seu pai, Domingos de Oliveira, ela passou a juventude rodando o Brasil em cartaz com a peça homônima, ao lado das atrizes Daniele Valente, Deborah Secco e Georgiana Góes — que fazem participações afetivas no filme. “Quando eu quis remontar a peça, em 2010, escalei as atrizes e fui para casa com uma megacrise. Foi quando percebi que não dava mais para estar no palco com ‘Confissões’”, desabafa ela.

Sophia, que também participou da última montagem da história para o teatro, confessa que sua grande dificuldade foi dar força a temas atualmente banalizados. “Quando elas fizeram a primeira versão da peça, era superirreverente. Mas, quando a gente remontou, foi muito difícil, porque os assuntos já pareciam batidos. Não era mais a primeira vez que falavam de tabus”, reflete a atriz. Mariana completa, em seguida: “Concordo plenamente! Na peça, eu falava da primeira vez que fumei um baseado e as pessoas dizia: ‘Oooooooh’. Podia sentir aquele peso, sabe? Mas vai falar isso hoje? É completamente diferente”, acredita ela.

Mas as duas, representantes de diferentes gerações, concordam que, seja no teatro, cinema, literatura, ou internet, o importante é representar o jovem real e não impor padrões a eles.

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