Eron Falbo: folk rock e som britânico direto da fonte

Cantor brasiliense lança ‘73’, gravado em Londres e Nashville, com produtor que cuidou de discos de Bob Dylan e Johnny Cash

Por O Dia

Rio - Não foi fácil para o músico brasiliense Eron Falbo convencer o célebre produtor Bob Johnston, 81 anos, a cuidar de seu disco solo ‘73’. Bob, que esteve por trás de clássicos de Bob Dylan e Johnny Cash, acabou virando fã de seu trabalho. Mas demorou até que topasse mexer no disco de Falbo.

Para chegar até Bob Johnston%2C o produtor%2C Eron contactou primeiro o filho deleDivulgação

“O filho dele tem uma fazenda em Goiás e o contactei. Bob queria conversar só sobre meu gosto musical e coisas pessoais, como se eu fazia artes marciais ou se acreditava em Deus. Foram quatro meses me sondando, para identificar meu caráter!”, diz. O músico acabou tendo como aliada a mulher de Bob, Joy Byers, autora de letras gravadas por Elvis Presley. “Ela me achou um grande letrista e disse a ele que tinha que trabalhar comigo.”

Cidadão do mundo que já morou nos EUA, na Suíça, em Londres e hoje vive em Budapeste, Eron não nasceu em 1973 — tem 28 anos. “O disco é que foi um mergulho nesse ano. Quisemos resgatar essa energia”, conta ele, que começou em Brasília como DJ e como vocalista de uma banda de rock clássico, Os Julianos, com a qual chegou a fazer shows em cruzeiros.

Para manter o clima vintage, Eron — hospedado por Bob em sua casa no Texas durante os trabalhos — ocupou os estúdios Dark Horse, em Nashville, e Konk, em Londres. Este, criado pela banda inglesa sessentista Kinks.

O tom misturado de folk rock com som britânico (proporcionado por músicos como o tecladista Shane Keister, que tocou com Elvis Presley) invade canções como ‘Sacagawea’s Son’, ‘Any Fool a Man’, ‘I’ll See You Again’. Há também um regravação de John Lennon, ‘I Found Out’. E, no DNA do disco, muito das histórias contadas pelo veterano produtor.

“Ele me disse muitas coisas sobre a personalidade do Bob Dylan”, conta. No estúdio, ouviu algo inusitado do chefe. “Ele falou que Dylan era como eu. E que deveria fazer que nem ele: me concentrar, focar. Ele me disse isso para otimizar o trabalho em estúdio, claro. Mas funcionou: achei que fosse conquistar a Ásia com 24 exércitos”, brinca.

Em Londres, o papo foi com Ray Davies, dos Kinks. “Ele administra o estúdio. Precisávamos desse clima britânico dos anos 60 e fomos para lá”, diz o músico, que disponibilizou o álbum para audição em seu site e lança em breve uma versão em disco físico.

Últimas de Diversão