Por nara.boechat

Rio - Cinco, quatro, três, dois, um... Pode abrir o champanhe, que a boa do dia 31 é brindar na laje. E se você não tem um terraço para chamar de seu, não esquente a cabeça. O Guia Show & Lazer preparou um roteiro por comunidades pacificadas, da Rocinha à Santa Marta, onde as festas de Ano Novo ganham cada vez mais adeptos, com preços entre R$ 5 e impressionantes R$ 1.350. Seja turista ou carioca, não importa: do alto dos morros da Zona Sul, além de assistir aos fogos da Praia de Copacabana de um ângulo privilegiado, é fácil se sentir de casa.

“O povo vem, come, bebe, brinca. O clima aqui é só de alegria”, diz Dona Zelita, do alto de sua laje, no Pavão-Pavãozinho, onde oferece uma ceia farta, com direito a espumante e uísque — só não pode cerveja, que é proibida pela anfitriã. Ela vai conversando, até que é interrompida por alguém avisando que as crianças do Cantagalo, morro vizinho, estão a caminho. “Lascou!”, é só o que ela diz, dando a entender que a trupe é da pesada.

Dona Zelina%2C com os percussionistas do Grupo do Adailto%2C em sua casa%2C no Pavão-PavãozinhoCarlo Wrede / Agência O Dia

O ritmo é esse. Sem cerimônia, as pessoas chegam e saem, dão um pulo na laje do vizinho, puxam um samba em algum pandeiro dando sopa ou esticam a festa no baile funk. “Daqui só saio para a Cidade de Pé Junto”, brinca Zelita de 85 anos, que chegou há 63 ao Pavão-Pavãozinho, em Copacabana.

Outro que não troca o privilégio de admirar o mar de sua laje é Miguel, de 53 anos. Nascido e criado no Cantagalo, em Ipanema, ele abre sua casa pelo quarto ano consecutivo e, sem modéstia, garante que faz a melhor caipirinha do mundo. “Todo Réveillon a gente faz amizade com o pessoal que vem para a festa. Depois dos fogos, eu levo a galera para outras lajes, aí todo mundo vai se conhecendo. Faz parte do pacote!”, conta ele, que já prometeu fazer uma visita a Dona Zelita após a virada do ano.

Palco de festas de todos os tipos, o Vidigal se tornou tão pop que uma só laje seria pequena para abrigar o baile de Réveillon local, com queima de fogos e DJs. Tanto que, este ano, ele acontece na Quadra do Alto. “Quem sobe o morro vai parando de laje em laje, para ir conversando com as pessoas. E isso tem tudo a ver com o espírito de confraternização da data”, diz Jhama, integrante do Trio Ternura e morador do Vidigal há dez anos.

No mesmo ritmo, Thiago Firmino, guia do Santa Marta Favela Tour, garante que ninguém fica parado no terraço de sua casa. “Quem vier participa da ceia junto com a minha família e, depois, partimos para o baile funk aqui no morro”, planeja ele. Diana Prado, rainha de bateria da Mocidade Unida do Santa Marta reforça: “A comunidade está acostumada a receber quem é de fora”, diz, frisando que quem procura a festa está interessado no cotidiano do local.

Trio Ternura e a vista do VidigalJoão Laet / Agência O Dia

Mas se engana quem acha que Réveillon na favela é só para gringo ver. No Favela Inn Hostel, no Chapéu Mangueira, no Leme, este ano a procura é maior entre os brasileiros. E o pacote inclui pernoite e café da manhã. Leonardo Soares, da Rocinha, também realiza uma festa de Ano Novo em seu terraço. “Já virou moda. Em todo morro tem festa na laje. Por isso, este ano, vou fazer uma lá em casa pela primeira vez”, diz.

Réveillon do alto

CANTAGALO
Nascido e criado por lá, Miguel, de 53 anos, promete provar por que sua caipirinha é a mais famosa das redondezas. A ceia, a cerveja e o churrasco também fazem parte do pacote. Mas a confraternização não se limita ao espaço. Quem quiser pode acompanhar Miguel por outras lajes, após assistir à queima de fogos de Copacabana, que faz parte da vista do terraço do anfitrião. Preço: R$ 350 por pessoa. Agendamento através de Daniel De Plá, pelo celular 98671-1222. Haverá um ponto de encontro, de onde um guia levará os convidados até a laje.

CHAPÉU MANGUEIRA
No Favela Inn Hostel, o Réveillon na laje já é tradição e a procura de brasileiros está superando a de estrangeiros este ano. No pacote da comemoração de Ano Novo, estão incluídos a ceia, o pernoite e o café da manhã. R$ 200 por pessoa. Rua Dr. Nelson 32, Favela Chapéu Mangueira, Leme (3209-2870).

PAVÃO-PAVÃOZINHO
Considerada uma das festas de Réveillon mais caras do Rio, a comemoração na laje da Dona Zelina acontece pelo quinto ano consecutivo. Lá, é possível assistir à queima de fogos da Orla de Copacabana de um ângulo mais do que privilegiado. Na batida do samba, o Grupo do Adailton agita a festa, que pela primeira vez vai até o sol raiar. Preço: R$ 1.350 por pessoa. Agendamento através de Daniel De Plá, pelo celular 98671-1222. Haverá um ponto de encontro, de onde um guia levará os convidados até a laje.

ROCINHA
Pela primeira vez, Leonardo Soares abre as portas de sua casa para quem quiser conferir a festa da virada em sua laje. No cardápio do bufê, o anfitrião também garante que há pratos e bebidas para todos os gostos. Preço: R$ 600 por pessoa. Agendamento através do telefone 99812-0507 ou do e-mail [email protected] Haverá um ponto de encontro, de onde um guia levará os convidados até a laje.

SANTA MARTA
Guia de turismo do Santa Marta Favela Tour, Thiago Firmino abre a laje de sua casa para quem quiser virar o ano junto de sua família. A festa continua no baile funk da quadra da escola de samba da comunidade. Agendamento pelo telefone 99177-9459 ou por www.favelasantamartatour.blogspot.com.br. Preço: R$ 200 por pessoa (com direito a ceia e bebidas). O dono da casa marcará um ponto de encontro para levar seus convidados até a sua laje.

VIDIGAL
No morro, onde durante o ano já rolam várias festas de todos os tipos, uma laje seria pequena para abrigar o Baile de Réveillon. Ao som dos DJs Risada e Jota Effe, uma superqueima de fogos pode ser admirada na Quadra do Alto, na Vila Olímpica, a partir das 23h. Ingressos antecipados: R$ 5 (mulher) e R$ 10 (homem). Informações com Patrick Batista, pelo telefone 97907-7562 ou com Henrique Lino, através do telefone 97868-5405.

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