Filhos e empresário de Nando Reis se jogam na canção

Sebastião e Theodoro criaram o Dois Reis para resgatar músicas que o pai não costuma tocar ao vivo

Por O Dia

Rio - Segunda-feira é Dia de Reis, quando as pessoas fazem suas simpatias por dinheiro, sorte ou um mundo melhor. Ao filho Sebastião, Nando Reis prometeu que “o mundo é bão”, no título e refrão de uma de suas últimas músicas gravadas com o Titãs, em 2001. “Nesse momento da minha vida, posso dizer que está muito bom!”, confirma Sebastião, hoje um galalau de 18 anos. 

Filhos e empresário de Nando Reis se jogam na canção e estreiam duos inspirados no ex-TitãsDivulgação


E não poderia estar melhor mesmo: seguindo a carreira do pai, ele se joga na canção ao lado do irmão Theodoro, 27, no duo Dois Reis. A referência explícita ao sobrenome dos dois não é à toa: esse é essencialmente um projeto onde os filhos revisitam a obra do pai. “Ele adorou a ideia, e ficou entusiasmado desde o primeiro momento em que contamos para ele”, diz Sebastião.

Apoiados por uma banda com guitarra, baixo, teclado e bateria, a dupla faz um passeio por momentos diversos da carreira musical de Nando — que foi uma das atrações do Réveillon em Copacabana. Músicas do pai gravadas por outros artistas e sucessos do Titãs se mesclam a canções lado B. “O critério foi escolher um repertório que priorizasse as músicas que meu pai não toca na turnê atual”, explica Theo. “Mas é claro, sempre recebemos pedidos para tocarmos outras canções. Acho que um ponto alto do show é quando tocamos sucessos como ‘Resposta’ e ‘Me Diga’”.

O Dois Reis tem feito abertura dos shows de Nando, que eventualmente também se junta à prole no palco. Longe de cair no bordão “não cantarei músicas do meu pai”, os jovens não se incomodam com as comparações e mostram ter muito orgulho do projeto. “Para nós tem sido muito natural, afinal nascemos em meio a essas músicas. Portanto, não é nenhum incômodo, muito pelo contrário, de certa maneira estamos realizando algo que eu sempre tive vontade de fazer: subir no palco e tocar as canções do meu pai”, alegra-se Theo. 

Por enquanto, eles estão focados em apresentar esse espetáculo — ainda sem data para acontecer no Rio — e em gravar um EP ainda no começo de 2014. “Já temos uma parceria do meu irmão com o Marcelo Mira, ‘Passageiro do Vento’, mas o plano é gradualmente ir acrescentado canções de autoria própria no repertório”, ressalta Sebastião.

Os dois fazem questão de destacar que não se acomodam apenas em revisitar a obra do pai, mas também tocam outros projetos musicais. Sebastião tem uma banda chamada Elefantes, que mistura clássicos de Tim Maia e Led Zeppelin. Theo apresenta suas próprias composições no grupo Zafenate, com influências de reggae, rock e rap. As irmãs Zoe e Sophia, embora não sigam a profissão do pai, também são apreciadoras de música: Zoe toca violão e flauta e Sophia chegou até ter sua própria banda. 

“A música está presente na família toda, mesmo naqueles que não seguiram profissionalmente esse caminho. Inclusive, isso se estende até os primos. O Tonico Reis, que é filho do Carlito, irmão do meu pai, também é compositor e tem uma banda chamada Pata de Onça”, conta Theo.
Nando Reis teve em Cássia Eller (1962-2001) uma grande parceira musical. Sebastião não teve contato com a cantora, era muito pequeno, mas Theo conviveu bastante com ela: “Me lembro de muitas coisas, principalmente, do período que passamos em um sítio em Teresópolis, para a preparação do CD ‘Acústico’”, recorda. 

Nando fez ‘O Mundo é Bão, Sebastião’... Theo, não se sente rejeitado por não ter ganhado música do pai?

“Não, de jeito nenhum. Me sinto contemplado pela música também. Essa letra meu pai fez em cima de uma frase que minha mãe sempre dizia para o meu irmão quando ele era criança. Então, de certa maneira, ela trata também da nossa família como um todo”, orgulha-se Theo, atestando que o mundo para ele também está muito bom, obrigado.

Empresário também é fã 

A corte de Nando Reis tem gerado súditos musicais não só em família. Tom Gil, seu empresário, acaba de estrear a banda Manuche. Na verdade, assim como o Dois Reis, trata-se de um duo, que ele divide com o parceiro Feuu Moucachen. “Quando o Nando fez o convite para ser seu empresário, me pegou de surpresa pacas, porque ele sempre foi uma das minhas inspirações para compor e tocar”, descreve Tom Gil.

As influências do Manuche são o blues e o rock clássico, de grupos como Rolling Stones e AC/DC, e o CD conta com a participação do guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura. “O rock está voltando. Em programas como ‘The Voice’ dá para notar uma presença maior do gênero, e isso me empolga cada vez mais!”, festeja Tom.

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