Por tamyres.matos
Rio - Para o produtor Bruno Levinson, “o mar sempre estará para peixes se o assunto for novos talentos”. Criador, há 20 anos, do festival Humaitá Pra Peixe, ele se orgulha de ter ajudado a catapultar nomes como Marcelo D2, Mart’nália, Maria Gadú e Seu Jorge, entre muitos, quando ainda eram nomes pouco conhecidos na cena.
O HPP, porém, dá adeus hoje, na abertura do evento Rider Weekends, que acontece a partir das 20h no Jockey Club. No palco, as promessas ConeCrewDiretoria, O Terno e Bixiga 70. Batemos um papo com ele sobre música, produção, novos talentos e mais...
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O DIA: Na sua opinião, o mar está ou não está para peixe, para os novos artistas que pretendem se jogar na canção?

Bruno Levinson: Não faltam talentos nos mais variados estilos da nossa música. E também percebo ótimos novos compositores também. No entanto acho que o mar está muito mexido, ondas que vem e vão, tsunamis e para pescar nessas condições é necessários outras ferramentas, outros equipamentos. O fato é que o hábito de consumir música mudou muito. A relação do público com os artistas e com as canções está muito diferente. E percebendo estas mudanças acho que o formato do Humaitá Pra Peixe não cabe mais. Tenho muito orgulho pelos 20 anos de história. Acho que o Festival realmente apresentou e representou uma geração. Cumpriu totalmente e com louvor todos os seus objetivos. Chego a última noite com uma sensação maravilhosa e feliz. Fizemos! Agora me cabe pensar em novos formatos, novos modelos, para sempre seguir fazendo o que tanto gosto: pescar!

Bruno Levinson é o criador do festival Humaitá Pra Peixearquivo pessoal

O DIA: Como você acha que está sendo consumida a música no momento?

BL: O hábito de se consumir e promover música mudaram e tenho que entrar em sintonia novamente para poder seguir abrindo espaço para novos artistas encontrarem seu público. Percebo que atualmente, neste momento, a música é trilha sonora de eventos e não tem sido tanto a atração principal. As pessoas vão aos eventos se eles são “a boa”. Eu detesto este termo: “a boa”. A boa para quem, cara pálida?! Este termo, este conceito de “a boa”, padroniza tudo e todos e é antagônico a pensarmos em exercitar a curiosidade. O que é “a boa”" para uma pessoa não necessariamente é para outra. Este “a boa” faz tudo ficar medíocre! A Boa é muito ruim! A boa é pior do que “gente bonita”, saca?
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O DIA: Para você, como está o espaço para as bandas de rock?
BL: Continuo vendo artistas de qualidade surgindo e ocupando espaços em vários gêneros. Só assim de cabeça me lembro de vários nomes de artistas que acho vieram para ficar: Gadú, Jeneci, Ana Cañas, Thiaguinho, Tulipa Ruiz... Para citar alguns. Realmente o espaço está pequeno para bandas de rock. Mas acho isto normal. Uma questão de momento. Não consigo conceber o mundo sem o rock! Já aparecerão bandas que saberão chegar ao grande público. Entendo que exista esta sazonalidade mesmo de gêneros. Mas o O Terno, que esta escalado para esta última noite do HPP, acho uma ótima banda que poderia alcançar um público bem maior do que o que já tem.
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O DIA: Você acha que falta uma nova safra de artistas com hits avassaladores, como vimos, por ezxemplo, na geração dos anos 80, ou na dos 90?
BL: com certeza a força de um hit é sempre muito forte. As vezes acho que as bandas de rock/pop estão complicando demais. Muito arranjo, muitas notas, muitos ritmos, muitos, muitos! E a canção pop não precisa de nada disto. A canção pop pega também pela simplicidade. Uma parte A, uma parte B e um refrão forte! Ok, ok, pode ter uma parte C, um especial e tal, mas nada muito complicado. E uma boa letra. Uma letra que diga algo para todos. A canção pop tem que ser imediata, urgente. Tem muito músico querendo mostrar que toca muito a cada nota! Evidente que estou generalizando e tem bandas excelentes em vários cantos do país. Mas agora os pais da nossa geração com seus filhos têm que procurar em outros lugares. Como disse: a forma de consumir e promover música mudou muito. Se a grande mídia não tem dado espaço para este gênero musical não quer dizer que ele não exista. É uma questão de procurar e achar. Essas perguntas dariam para ficar horas respondendo, conversando, trocando ideias!