Adriana Calcanhotto fez as pazes com o violão em show acústico e novo DVD

‘Não tocava há um ano e meio. Achei que o instrumento tivesse me abandonado’

Por O Dia

Rio - Amor de verdade tira você da base. Tem altos, baixos, pausas, retomadas. Na hora das pazes, tudo recomeça bem e com novos ares. Esse é o momento atual de Adriana Calcanhotto. Engana-se quem pensa que a cantora passou por alguma crise em sua relação com a cineasta Suzana de Moraes, filha de Vinicius de Moraes. A moça está diferente, sim, mas é com seu instrumento de toda a vida: o violão. Após ficar um ano e meio sem tocar por conta de uma lesão na mão direita, ela achou até que já tivesse perdido a intimidade com as cordas e as curvas da madeira. “Confesso que tinha medo dessa volta. Dizem que se você abandona o violão por uma semana ele também te abandona. Mas isso não chegou acontecer”, desabafou ela, que emendou:

Adriana Calcanhotto voltou a tocar violãoFelipe O`Neill / Agência O Dia


“Recebi um convite de um lugar superbacana, onde cantei pela primeira vez em Lisboa (Portugal). Era o aniversário de 20 anos da casa e eles me pediram para fazer um show solo. Achei que seria um desafio por não tocar há tanto tempo e estar me recuperando. Mas também era um bom motivo para voltar com a voz e o violão”. Durante árduos ensaios e exercícios de pestana para o evento, voltou com mais força ainda a inspiração da também compositora. Daí nasceu ‘Olhos de Onda’, música que batiza o novo show de Adriana, que vai ser apresentado neste sábado no Vivo Rio.

A novidade também está na batida de Adriana: “Voltei a tocar diferente. Talvez esteja tocando com menos batidas. Me sinto mais leve. Isso é importante para eu não entrar no piloto automático. É como se estivesse tocando pela primeira vez. Esse intervalo fez com que eu voltasse a ter vontade de tocar violão e canções que eu gosto. ‘Olhos de Onda’ marca o fim de um ciclo de canções e inaugura outro de novas canções”. O repertório de cada espetáculo é definido de acordo com a cidade. “Show solo tem a vantagem de mudar quando quiser. Canto coisa que tem a ver com o lugar. Em Portugal, escolhi poemas portugueses. No Rio, vou cantar ‘O Nome da Cidade’, de Caetano Veloso, que fala daqui e tem uma força diferente”, adianta ela.

Além de ‘Olhos de Onda’, outra canção inédita do show é ‘Descendo Amor’. Adriana, que fez a música em Londres, em 2009, deixou a canção na gaveta até agora. Durante a noite, ela ainda vai passear por sucessos como ‘Me Dê Motivo’ (Michael Sullivan e Paulo Massadas), ‘Mais Feliz’ (Dé, Bebel Gilberto e Cazuza), ‘Maresia’ (Antonio Cicero e Paulo Machado), ‘Devolva-me’ (Renato Barros e Lilian Knapp), ‘Fico Assim Sem Você’ (Caca Moraes e Abdulah), e as autorais ‘Esquadros’, ‘Vambora’ e ‘Tua’. Destaque para o poema ‘Motivos Reais Banais’, de Waly Salomão. “Canção é que nem filho. É difícil dizer qual é a sua preferida. Mas vou cantar esse poema do Waly, que fala de como era a nossa relação. Ele era um grande parceiro meu”, pontua a cantora.

A apresentação no Rio vai virar DVD. Os motivos para o registro junto aos cariocas são muitos para a gaúcha de Porto Alegre. “A Marisa Monte fecha o show dela dizendo: ‘É o lugar que eu moro’. Eu abro o show dizendo logo isso. Se apresentar aqui é diferente. Eu vim pra cá porque gosto de calor. Não gosto de frio. É uma alegria estar aqui. Além disso, tem a data. Cheguei no Rio em fevereiro, minha avó também nasceu em fevereiro. Fevereiro é o mês que mais gosto. Além disso, prefiro que o registro seja de uma noite só. Sem muita frescura”, explica.

Fazer um show intimista é mais difícil? A cantora não titubeia na hora da resposta: “Não. É diferente. Nem melhor, nem pior. Eu posso atender a um pedido. O show está na minha mão. A demanda física que é maior do que se estivesse com uma banda. Com banda, dá pra dar uma respirada. Saio exausta do show de voz e violão”. E se tudo mudou na vida da cantora, os cabelos da gaúcha também não são mais curtos como antes. “É interessante, porque agora tenho mais paciência para cuidar do cabelo. Meu cabelo sempre foi muito fininho e embaraçava muito. Não tinha paciência de desembolar na adolescência. Achava muito chato. E meus pais sempre foram modernos e gostavam do meu cabelo curto”, lembra.

Em paralelo à música, Adriana Calcanhotto, que recentemente lançou o livro ‘Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira: Para Crianças de Qualquer Idade’, continua pesquisando sobre poemas. Desta vez, ela está com os olhos voltados para o haicai, poema de origem japonesa, no Brasil. “É uma coisa única e acho muito interessante levar isso para o público infantojuvenil. Esses poemas têm o estado de espírito dessa faixa etária”, conta. E a ideia de verter a obra de Vinicius de Moraes para o funk ao lado do DJ Sany Pitbull? “Me envolvi com tantos projetos. Mas sou mais útil fazendo livros. Além disso, todo mundo já gravou Vinicius. Talvez um dia eu faça. Sei lá. Mas antes desse projeto dos poemas haicai, não haverá Vinicius”, conta.

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