Líder do Natiruts troca o reggae por soul e samba-rock em álbum solo

Alexandre Carlo traz som black direto do Cerrado

Por O Dia

Rio - Na capa de ‘Quartz’, seu primeiro disco solo, o cantor e compositor do Natiruts, Alexandre Carlo, surge de óculos escuros e casaco de couro, com a guitarra na mão. A foto o deixa longe de suas origens no reggae e mais parecido com algum grande nome do soul nacional, como Claudio Zoli ou Cassiano. Este último, autor do clássico ‘A Lua e Eu’, é grande referência para as dez músicas do álbum, imersas no soul e no samba-rock. 

Líder do Natiruts%2C Alexandre Carlo, troca o reggae por soul e samba-rock em álbum soloDivulgação


“O soul é uma grande influência minha. Lá em casa tinha muitos vinis de artistas como Marvin Gaye”, diz Alexandre, referenciado também em artistas black que regulam com sua idade. “Lembro de quando comprei o primeiro disco do Ed Motta e fiquei fã dele de cara, como depois fiquei fã do Max de Castro.”

Se já foi surpreendente para muita gente, com a chegada ao mercado do Natiruts (ou Nativus, como o grupo era conhecido no começo da carreira), descobrir que havia reggae em Brasília, Alexandre revela que há um lado black forte na capital federal. “Nasci e moro até hoje lá, mas meus pais são do Rio. Meu pai adorava funk e soul americano, foi campeão de dança num clube ali no Cruzeiro, perto de casa”, diz. “Na década de 70, havia muitos bailes lá. Meu avô, que também era do Rio, foi morador de Madureira e portelense. Houve uma leva de militares que vieram transferidos para Brasília e ele estava nesse grupo. Acabou sendo um dos fundadores da principal escola de samba de Brasília, a Aruc (Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro), com toda a nostalgia que você pode imaginar.”

‘Quartz’ surgiu de um repertório totalmente diferente do som do Natiruts. Há reggae em ‘Cabelo de Cachoeira’, mas deslocado entre balanços como ‘Comment Allez-Vous’, ‘Agora Que Feliz Estou’, ‘Tava Com Saudade’ e ‘Venha Me Encontrar’. “Mas quis que o disco tivesse muito peso”, acrescenta o cantor. “Chamei só músicos de Brasília, como Txotxa (bateria, ex-Plebe Rude e Maskavo) e Kiko Perez (guitarra, ex-Natiruts) pensando nisso. Brasiliense gosta de tocar forte! Já temos referências no rock, no reggae, até na MPB, e queria ver como ficaria isso nesse som.”
O músico trouxe ainda as participações do DJ Rashid (em ‘Last Night’), da também brasiliense Ellen Oléria (‘Te Beijar’), do rapper Projota (‘Chelly’) e do irmão sambista, Caê du Samba (‘Só A Gente Sabe’). “Caê canta nas principais rodas de samba de Brasília e já foi puxador da Aruc. Planejamos gravar o disco dele este ano.”

Os shows de lançamento começam em março. E o Natiruts permanece na estrada. Até tocou semana passada na Fundição Progresso, ainda divulgando o DVD ‘Acústico’ (2012). “Nos meus shows de lançamento é que só vou tocar minhas músicas solo, para não criar confusão”, conta o músico.

O reggae “de raiz”, com canções extensas e muitas percussões, acabou ganhando espaço nas rádios brasileiras por causa do grupo. “Antigamente, as pessoas iam aos shows do Natiruts por serem fãs de reggae, e hoje vão por serem fãs do Natiruts”, diz Alexandre, responsável por todo o repertório da banda. “Tivemos várias mudanças de formação. No começo, quando éramos seis, dava mais problema, por ciúmes. Normal. Hoje ficamos eu e o baixista (Luís Mauricio) e a gente mesmo direciona o trabalho.”

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