Rio - Um cantinho e um violão. Era tudo o que o cantor e pastor evangélico Thalles Roberto precisava para, ainda que com uma típica discrição mineira, chamar a atenção de quem passava perto. Nas turnês com o Jota Quest, quando fazia vocais de apoio para a banda conterrânea, ele ficava lá, cantando, na dele, enquanto os últimos detalhes do show eram preparados.
“As pessoas sempre perguntavam: ‘Quem é esse cara?’ Minha voz chama a atenção. O (vocalista) Rogério Flausino me chamou para o grupo depois de me escutar cantando em um jingle, em uma rádio de Belo Horizonte. Ele procurava um negão com pressão na voz para o backing vocal”, conta o atual fenômeno da música gospel. “Foi Deus quem me colocou no Jota Quest, para aprender. Eu olhava como o Rogério se portava no palco, como dava entrevistas, como tratava os fãs, e pensava: ‘Um dia vou estar ali na frente’.”
E não é que o sonho virou realidade? Depois de sair de Passos (MG), atuar por cinco anos com o Jota Quest e ocupar posição de destaque na música evangélica brasileira (seus cinco discos e dois DVDs, somados, já ultrapassam um milhão de cópias vendidas), Thalles Roberto comemora agora a assinatura com o novo selo gospel da gravadora Universal, o Universal Music Christian Group.
“Cantei com o Jota Quest de 2003 a 2008, o auge da banda!”, orgulha-se. “Mas também foi um período em que me afundei bem pesado mesmo nas drogas. Meu pai, que é pastor há 50 anos, me tirou das drogas orando”, emociona-se.
Mas isso é passado. Como Thalles cantou tantas vezes no refrão do sucesso do Jota Quest: dias melhores chegaram, e, veja só, até um contrato internacional entrou na história, com o segmento gospel do célebre selo norte-americano de música soul Motown, importante lançadora de artistas negros.
“Quando era mais novo, me emocionava olhando o selinho da Motown no canto dos discos que gostava. Não vejo a hora de sair um disco meu com o tal simbolozinho”, suspira o artista, que é fã declarado de nomes como Stevie Wonder, Michael Jackson e Diana Ross, todos crias da gravadora norte-americana. “Minha música é negra, nos meus shows eu sempre falo: ‘Meu som é de preto. Os brancos dançam também, mas o som é de preto!”, decreta.
Seu primeiro projeto internacional será um CD em inglês e espanhol para os mercados dos Estados Unidos e Europa, que ele começa a gravar já em 2014. Este ano, Thalles iniciou uma turnê pela América Latina, que já passou por Bolívia, Uruguai e Peru.
Com tantas realizações futuras a serem concluídas, o cantor, no entanto, revela um sonho que diz respeito aos velhos tempos do Jota Quest: “Sou amigo da galera da banda até hoje e sempre nos falamos, mas nunca convidei o Rogério para um dueto. Seria legal eu e ele cantando juntos sobre o amor de Deus. Acredito que Ele ainda vai preparar isso de uma forma bem especial”, deseja.
Thalles destaca, ainda, que músicas do Jota Quest, por outro lado, são usadas nas igrejas. “Um pastor amigo meu usa ‘Dias Melhores’ e ‘O Sol’ em pregações. São músicas bonitas, que falam de amor”, diz.