Rio - Assim que a sambista Beth Carvalho ganhou alta do hospital em 2013 — ela passara um ano internada por causa de um problema grave na coluna — fez uma confraternização com vários amigos sambistas. Entre eles, as amigas Dayse do Banjo e Iracema Monteiro, que após cantarem juntas na roda promovida pela sambista, viram que aquilo dava liga. Tanto deu que as duas mantêm o projeto ‘#mulheresnosamba’, realizado quinzenalmente no quiosque Oke Ka Baiana Tem, na Lagoa. Hoje, as duas retomam o repertório, às 16h.
“Vamos tocar também no domingo de Carnaval”, conta Iracema, que na casa de Beth dividiu microfone com nomes como Almir Guineto e Martinho da Vila. E no projeto já recebeu mulheres sambistas como Tia Surica, Ana Costa, Dorina e Lu Carvalho, sobrinha de Beth. O som mistura clássicos de cantoras do samba a músicas de Zeca Pagodinho, Nelson Cavaquinho, Luiz Carlos da Vila e até João Donato. “Tem homem no palco, já que nossos músicos são homens. O foco é em mulheres, do samba, mas quem sabe até um cantor de samba não participa do show? Nosso samba não tem preconceito.”
Rara compositora num meio dominado por homens (a própria Beth Carvalho já gravou músicas suas), Dayse do Banjo lembra que o projeto havia começado no Bar da Gema, na Tijuca. O resultado acabou sendo bem maior do que as pretensões da dupla e dos empresários.
“Lotamos e fomos incrementando o projeto de acordo com as necessidades. Botamos mais músicos, por exemplo. Agora, na Lagoa, temos um visual bem legal para emoldurar a música e muito mais espaço, já que não se trata de um lugar fechado”, conta Dayse, que teve recentemente sua ‘Receita de Prazer’ gravada por Lu Carvalho.
As duas sonham com um espaço para colocar ainda mais músicos. “Temos uma lista de cantoras que queremos chamar para dividir o palco com a gente”, conta Iracema, que começou em 1999 cantando na roda do Candongueiro, em Niterói.