Afogado em dívidas, Grupo Estação pode fechar após 30 anos de atividades

Mobilização nas redes sociais pede ajuda a instituições públicas

Por O Dia

Rio - A possível falência do Grupo Estação, um dos maiores patrimônios culturais do Rio nos últimos 30 anos — com 16 salas de cinema funcionando em diferentes regiões —, causou comoção nas redes sociais e mobilizou o público com propostas de auxílio à instituição que há uma década enfrenta dificuldades crescentes financeiras e de administração. Na segunda-feira, o presidente do grupo, Marcelo França Mendes, pediu ajuda pelo Facebook, informando que o pedido de recuperação judicial será analisado no dia 3 de abril, data que pode marcar o fim do Estação.

Afogado em dívidas%2C grupo de cinemas voltado para filmes fora do circuito comercial pode fecharFernando Souza / Agência O Dia

“Muita gente tem escrito querendo comprar cadeiras, ingressos, assinaturas. Mas só posso fazer isso com a certeza que não fecharemos. A dívida é grande demais para ser resolvida com ações pontuais, mas elas serão muito importantes após a aprovação judicial do nosso plano”, escreveu Marcelo ontem, sobre propostas pontuais ventiladas em seu texto.

Ele afirma que, afogado em dívidas, o Grupo Estação foi vendido em 2010 para um fundo de investimento que não cumpriu com as obrigações e duplicou o prejuízo, motivando o pedido de recuperação judicial. Nos bastidores, fontes do setor comentam que brigas entre sócios e problemas de administração levaram ao acúmulo de dívidas com impostos e distribuidoras, e à perda de credibilidade no mercado, o que teria motivado o encerramento do patrocínio da Vivo.
“O importante agora é saber como ajudar. A mobilização mostra a importância do Estação para o Rio e o cinema brasileiro. Marcou nossa virada cultural, um cineclube que foi muito além dos cinéfilos e formou pessoas. Os governos poderiam ajudar na questão fiscal”, disse Andrea Cals, coordenadora por dez anos da mostra Première Brasil do Festival do Rio.

Na carta aberta, Marcelo fala de dívidas com ISS e ICMS, e sugere isenção fiscal e contrapartidas de estado e prefeitura, citando a legislação de São Paulo em relação a cinemas de rua. Procurada pela reportagem, a secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, que foi sócia-fundadora do Estação e, segundo Marcelo, é acionista do grupo, não quis falar a respeito da situação, afirmando que gostaria antes de ler o texto na internet.

Mais de 2 mil pessoas faziam parte, até ontem à tarde, do Apoio ao Grupo Estação, criado no Facebook, e dezenas contaram histórias de suas vidas relacionadas ao cinema, um pedido de Marcelo que pode acabar em livro. “É uma ideia antiga nossa, construir uma narrativa do cinema como personagem do Rio. Não sabemos o que irá virar, mas é uma bela história”, afirmou a historiadora Ana Luiza Beraba, mulher de Marcelo.

Entre as ideias para a ajuda dos frequentadores está a venda a pessoas físicas de cópias entre as mais de 500 do acervo de filmes, que seriam doadas a arquivos profissionais.

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