Por julia.sorella

Rio - Enquanto nas férias uns sonham com praias paradisíacas e outros querem correr para as montanhas, Lúcio Maia só pensa naquilo. E aquilo, no caso, é trabalho. Não à toa entre o fim de uma turnê acompanhando Marisa Monte e o lançamento do novo disco da Nação Zumbi, previsto para abril, o guitarrista aproveita para divulgar seu novo projeto: o álbum de estreia do Zulumbi, grupo que forma com o MC Rodrigo Brandão (Gorila Urbano e ex-Mamelo Sound System) e o DJ PG (Elo da Corrente).

“Na real, eu não sou uma pessoa que gosta de tirar férias. Enquanto todo mundo tira férias, eu aproveito para trabalhar e fazer outra coisa. É um traço meu particular, minha personalidade, não sou quieto. Tenho ansiedade em relação ao que eu posso fazer ainda, coisas em que posso me envolver”, conta o pernambucano, que ainda tem na manga o próximo disco de seu trabalho solo Maquinado e um novo projeto.

A partir da esquerda: o guitarrista Lúcio Maia, o vocalista Rodrigo Brandão e o DJ PGDivulgação / Camila Miranda

Com o Zulumbi, tudo começou como uma apresentação especial no Sesc Pompeia, em São Paulo, em 2010. “Era para ser um show só, mas foi tão legal que pintou vontade de fazer um disco”, lembra Brandão. A demora para terminar o álbum veio da agenda atribulada dos integrantes do grupo, principalmente Lúcio Maia. “Foi bem tumultuado nesse sentido, a gente gravava e depois eu só podia dali a dois meses. Viajava com Marisa, parava e voltava para o estúdio”, lembra ele.

O nome do trio, além da referência óbvia à Nação Zumbi, faz homenagem a uma lenda do hip hop. “Eu sou da Zulu Nation, ONG do (DJ e produtor americano) Afrika Bambaataa, e ele faz em vários países uma cerimônia em que nomeia uma pessoa relacionada a cada elemento do hip hop (MC, DJ, grafite e dança). Fui escolhido o MC oficial da Zulu Nation no Brasil”, explica Brandão.

Tudo a ver com o som do grupo, que mistura hip hop, funk setentista, jazz, psicodelia e música afro-brasileira. “Rap é a minha vida, é o que eu faço. E o Lúcio sempre gostou muito também”, resume Brandão. “Desde a adolescência, quando conheci Public Enemy, gostei muito de hip hop. Foi muito importante para minha formação musical. O ‘Da Lama ao Caos’ (primeiro disco da Nação Zumbi, de 1994) já flerta com ele e todas essas influências”, completa Maia.

A sonoridade e a temática do candomblé também marcam forte presença no trabalho do Zulumbi. “Baden Powell e Vinicius de Moraes, Clara Nunes, Martinho da Vila, Jorge Ben Jor... todo mundo que flerta com isso é influência para a gente também”, lista Lúcio Maia. “Eu sou macumbeiro, então isso foi uma coisa que entrou naturalmente na minha vida. Ao mesmo tempo, não tem a intenção de converter ninguém”, garante Brandão, autor das letras.

Outro tema importante é o que o vocalista chama de política do cotidiano. “Por que, mesmo tendo rolado beijo gay na novela, você vê preto sofrendo preconceito da polícia, ‘red neck’ socando gay na (Avenida) Paulista... Para mim, é natural falar desse tipo de coisa, em busca de um mundo melhor, em que a gente aprenda a respeitar as diferenças”, explica o MC.

Com dez faixas, o álbum — que chega às lojas em março — foi produzido pelo grupo ao lado de Daniel Bozzio e traz as participações de Thiago França e Juçara Marçal (ambos do Metá Metá), a MC Yarah Bravo, Marcelo Cabral, Anelis Assumpção, os norte-americanos Rob Mazurek e Jason Adasiewicz, e outros integrantes da Nação Zumbi e do Elo da Corrente.

Nos shows, previstos para acontecer em março e abril, o trio ganha a companhia de Marcão Gerez (do Hurtmold, baixo), Mestre Nico (percussão) e Thiago Munhoz (voz). E, nesse tempo, Lúcio Maia promete focar só nesse projeto. “A bola da vez é o Zulumbi”, diz.

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