Por daniela.lima

Rio - Gravado em 2007 durante um show no Teatro Rival Petrobras, o primeiro DVD da Orquestra Imperial traz o lançamento do primeiro álbum da turma, ‘Carnaval Só No Ano Que Vem’. “O registro foi baseado em um show que não é a nossa apresentação normal. Nessa noite, tocamos praticamente todo o repertório do disco e não priorizamos tanto os nossos clássicos covers. Por conta disso, acabou sendo um baile mais comportado e menos caótico do que o de costume”, diz a cantora Nina Becker, que no DVD divide a linha de frente da Orquestra com Rodrigo Amarante, Moreno Veloso e Thalma de Freitas. 

Orquestra Imperial lança seu primeiro DVD ao vivoDivulgação


Há alguns clássicos do grupo, como ‘Sem Compromisso’, de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro, e ‘Artista é o K’, do integrante Rubinho Jacobina, mas o repertório é tomado mesmo por músicas do primeiro álbum, como ‘Obsessão’, ‘O Mar e o Ar’, ‘Yarusha Djaruba’, ‘Ereção’ (parceria coletiva que tem até Sandra de Sá como uma das autoras) e outras.

“Sempre que vejo coisas antigas da Orquestra, fico pensando em como foi uma escola sensacional para todos os integrantes. O lance de ser um baile de longa duração, a estrada e a troca permanente com tanta gente nos ensinaram muito ao longo desses onze anos”, continua Nina.

O grupo tem 18 músicos, incluindo nomes como Max Sette (voz e flugelhorn), Stephanie San Juan (percussão), Kassin (baixo) e o mestre Wilson das Neves (voz e bateria). Após a apresentação registrada em ‘Orquestra Imperial Ao Vivo’ (que no DVD é mesclada a cenas de bailes a fantasia da turma, além de imagens de bastidores), a agenda do grupo incluiu apresentações na Virada Cultural paulista, eventos fora do país e um show bastante ambicioso: ‘Gainsbourg Imperial’, com repertório do compositor francês Serge Gainsbourg (1928-1991) e participações da ex-mulher de Serge, a atriz Jane Birkin, e do maestro francês Jean-Claude Vannier. Os giros fora do Brasil foram luxos para uma banda tão numerosa e com agendas tão movimentadas.

“É difícil viajar pra muito além de Rio e São Paulo. Mas não dá pra reclamar: para um projeto que começou de brincadeira e duraria um mês só, até que fomos bem longe”, conta Kassin. “E ainda tem a equipe técnica e produtores. Não temos viajado tanto agora, mas são tantas agendas para conciliar que não é mais tão fácil conseguir marcar apresentações com tanta frequência”, conta Nina. Cinco após ‘Carnaval Só No Ano Que Vem’, a Orquestra soltou o álbum ‘Fazendo As Pazes com o Swing’. Na capa, o compositor Nelson Jacobina, uma das figuras de proa do grupo, surge maquiado como um dos integrantes do grupo Kiss. Nelson morreria pouco após a gravação do disco, de câncer, em maio de 2012. No DVD, ele surge como guitarrista, cantor e compositor. E dá saudades em fãs e músicos — nos extras, o guitarrista e tecladista Berna Ceppas diz que muito do caráter musical da trupe veio do convívio com o experiente Nelson, parceiro e grande amigo de Jorge Mautner.

“Ele foi nosso mestre. Ainda estou me acostumando a tocar sem Nelson. Ele ficava do meu lado, então eu o seguia quando ele entortava as coisas. Uma maneira de tê-lo ali é manter a chama da orquestra, não deixar isso morrer. Penso nele sempre que toco, com alegria”, diz Kassin.

“A personalidade do Nelson, agora que não está mais entre nós, às vezes parece quase uma síntese de tudo o que acontece na Orquestra, que é um grupo tão grande e tão heterogêneo. Ele também era assim. Era um superguitarrista ícone dos anos 70, parceiro do Mautner, mas era também superligado em política, história, economia, cinema. Sabia tudo sobre a história da música brasileira, todos os compositores antigos de samba”, recorda Nina, igualmente saudosa.

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