Dori faz a festa com boa música e poesia

Artista lança CD ‘Setenta anos, com 13 músicas inéditas compostas sobre poemas de Paulo César Pinheiro

Por O Dia

Rio - “Aos 70 anos, sem precisar provar mais nada, Dori se reinventa a cada dia, compondo com a fome de bola de um garoto e a calma de um velho marinheiro”. As palavras certeiras de Joyce Moreno — proferidas no texto escrito pela artista carioca para apresentar o álbum ‘Setenta anos’, lançado esta semana por Dori Caymmi — dizem muito sobre o disco editado pela gravadora carioca Acari Records.

Com sua voz que revolve profundezas%2C Dori se mostra o intérprete ideal destas canções calcadas na sua belezaDivulgação

Gravado em 2013, o CD festeja os 70 anos de Dori, completados em agosto do ano passado. Mas a celebração é feita sem nostalgia. Em vez de revisar sua obra magistral (projeto que seria até oportuno pela beleza de um cancioneiro que tem muitos títulos a serem descobertos), o cantor, compositor, violonista e arranjador carioca apresenta 13 músicas inéditas compostas sobre poemas de Paulo César Pinheiro. É um CD de voz e violão, o ‘amigo querido de 55 anos’ a quem Dori dedica o disco.

‘Setenta anos’ repete o molde de ‘Poesia musicada’, CD de 2011, seduzindo quem tem os ouvidos abertos para apreciar a música brasileira surgida na era dos festivais, plataforma para a propagação nos anos 1960 da obra de Dori. Obra que vem do mar seminal desbravado pelo pai do artista, Dorival Caymmi (1914 - 2008), a partir da década de 1930, mas que trilhou outros territórios, ainda que a poesia de canções como ‘Pesca de rede’ e ‘Espuma’ remetam ao mítico mar de Caymmi.

A alta qualidade das canções de ‘Setenta anos’ salta aos ouvidos. Contudo, ‘Alguma voz’ se impõe de imediato como a obra-prima do repertório inédito. Ao longo de suas 13 músicas, o CD ecoa — através da poesia de Pinheiro — vozes dos mares, dos rios e das matas. Cheias de imagens de um país interiorano, as letras poéticas romantizam esse Brasil rural,com devoção às forças da natureza. Com sua voz que revolve profundezas, Dori se mostra o intérprete ideal destas canções calcadas na sua beleza, em ‘deslumbrante simplicidade’, como caracteriza a sempre certeira Joyce.

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