Por adriano.araujo

Rio - Parado em frente a uma gigantesca réplica de um frango depenado, o engenheiro Walmir Silva Ramos, de 82 anos, mal consegue piscar, de tão espantado. “O nível de detalhismo é impressionante. Parece que é de verdade. É tão realista, que sinto que estamos tocando a escultura, mesmo sem podermos encostar nela.”

Ele não é o único a pensar assim. Walmir foi uma das mais de cinco mil pessoas que, apenas ontem, estiveram no Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo, para ver a mostra dedicada às esculturas hiper-realistas feitas pelo artista plástico australiano Ron Mueck. O frango, em questão, é uma das peças da exposição e, assim como as outras, é feito a partir de materiais como resina, fibra de vidro e silicone.

>>> GALERIA: Esculturas gigantes de Ron Mueck invadem o Rio

A grande fila que se formou na entrada do MAM era vista de longeBruno de Lima / Agência O Dia

“Fiquei quase duas horas na fila para conseguir entrar no museu. Mas estar aqui valeu cada segundo de espera. As esculturas são incríveis”, avaliou o engenheiro.

A fila que podia ser vista ontem na entrada do MAM refletia o interesse do público, que impressionou até mesmo os organizadores. Segundo eles, desde quarta-feira, 15 mil pessoas já passaram pelo museu exclusivamente para visitar a exposição — apenas no sábado, foram quatro mil. A expectativa é levar pelo menos 300 mil pessoas até o fim da mostra, cujo encerramento será no dia 1º de junho. O presidente do MAM, Carlos Alberto Chateaubriand, informou que essa mesma exposição atraiu 400 mil pessoas em Paris e outras 180 mil quando passou por Buenos Aires.

O público é variado — seja na idade, seja no interesse. Há até mesmo gente que vem de um pouco mais longe só para ver a obra do artista, atualmente radicado em Londres. É o caso da pedagoga Maria Helena Mendonça, que havia acabado de chegar de São Paulo.

“As linhas de expressão, os poros, os cabelos, as veias e os pêlos das esculturas são tão bem feitos e convincentes, que acho que chamar essas obras de hiper-realistas ainda é pouco. Elas vão muito além”, avaliou.

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