Maria Rita cai no samba em CD que fica entre o quintal e a boate

'Coração a batucar' supera o disco de 2007

Por O Dia

Rio - “Mais uma vez / Aqui estou /... / Meu bloco ‘tá’ na rua”, avisa Maria Rita, ao som de surdo e cuíca, em versos de ‘Meu samba, sim, senhor’, música que abre o segundo CD de samba da cantora, ‘Coração a batucar’, que vai ser lançado amanhã.

Com tais versos, a artista faz o ‘link’ de ‘Coração a batucar’ com ‘Samba meu’ (2007), seu primeiro disco dedicado ao ritmo que dá o tom da música brasileira. Aparentemente fora de sintonia com o título do CD, a capa está no tom de um disco que ‘sobe o morro’ sem sair do asfalto. O coração de Maria Rita batuca entre o fundo de quintal e o interior de uma boate. Se a percussão (a cargo de André Siqueira e Marcelinho Moreira) simula clima de terreiro na introdução e no fim de ‘Saco cheio’, hit de Almir Guineto em 1981, o piano serelepe de Rannieri Oliveira se insinua ‘jazzy’ em passagem instrumental de ‘Fogo no paiol’ (2010), tema de Rodrigo Maranhão que não incendeia.

Maria Rita lança amanhã o seu segundo disco de samba%2C ‘Coração a batucar’%2C produzido pela própria cantora com arranjos de Jota MoraesDivulgação

Produzido sob a direção musical da própria Maria Rita, o CD tem arranjos de um pianista, Jota Moraes, hábil ao encontrar o tom do samba romântico ‘Abismo’ (Thiago Silva, Lele e Davi dos Santos). Destaque do repertório, ao lado do samba feliz e iluminado fornecido por Joyce Moreno (‘No mistério do samba’) e dos três sambas do bamba Arlindo Cruz, ‘Abismo’ contemporiza dor de amor. Dor da qual o samba é o mensageiro em ‘Vai, meu samba’, grande faixa de clima ‘cool’ e ritmo lento, quase solene. O samba é de Noca da Portela.
Na cadência bonita do samba, Maria Rita entra na ciranda de amores. No samba da turma do Quinteto em Branco e Preto (de SP), ‘No meio do salão’, ela enquadra o malandro sedutor (‘Se o bicho pegar desta vez / Vai sobrar para você’, avisa, cheia de moral). Mas deixa entrever um novo despertar afetivo ao fim de ‘Abre o peito e chora’.

Arlindo Cruz domina o fecho do disco no tom terno e grato de ‘Mainha me ensinou’ e com a beleza de ‘Rumo ao infinito’. “Eu não nasci no samba / Mas o samba nasceu em mim”, garante a cantora em ‘É corpo, é alma, é religião’, samba batido na palma da mão. Convence!

Últimas de Diversão