Poder e violência em exposição

Com temática que reflete a sociedade, fotógrafo e artista plástico Miguel Rio Branco abre sua Individual na Casa França-Brasil

Por O Dia

Rio - O som de tiros ecoa pelo salão neoclássico da Casa França-Brasil. A partir de hoje, ele está escuro e o que se vê são presos amontoados em celas, carnes penduradas em um frigorífico, crânios enfileirados e mais uma série de imagens. Projetadas em sequência, ganham outros sentidos aliados à violência e ao poder. Trata-se de ‘Gritos Surdos’, de Miguel Rio Branco, considerado um dos artistas visuais mais importantes do país e que não faz uma individual por aqui desde 2009.

Instalação sobre o poder e a violência%2C criada por Miguel Rio BrancoDivulgação

“Posso dizer que minha exposição é sobre o poder da morte, mas também tem uma série de outras questões que vão fazer as pessoas saírem de lá pensando sobre o domínio, a dor...”, diz Rio Branco. Criadas para uma mostra individual no Centro Português de Fotografia, no Porto, em 2001, só agora essas obras chegam ao Rio. “O trabalho pensa e se adapta. A exposição foi feita no Porto da primeira vez, mas acabou presente na sociedade e no Brasil até hoje”, avalia Rio Branco.

Além das projeções, que parecem flutuar pela Casa França-Brasil, uma instalação se encontra em uma das salas laterais do local. Nela, vê-se vários parabrisas quebrados e com marcas de tiros. “O poder que falo é sobre o dia a dia das pessoas. Todos estão assustados pelas ruas”, comenta. As questões sociais realmente parecem chamar a atenção do artista, ou melhor, como as pessoas lidam com elas.

“Me sinto como um marginal, sempre foi assim. Não sei nem como dizer ‘nossa sociedade’, pois não me sinto participante dela. O meu processo é tentar entender o que é o mundo e o que sinto em relação a ele”, diz o fotógrafo, que também critica a atual geração artística. “Todo mundo quer ser artista hoje. Acho um modismo chato, uma coisa sem poesia, sem expressão pessoal. Fazer arte não é entrar no mercado é conseguir viver”, conclui.

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