Por daniela.lima
Bia Willcox%3A O caso que me protegeDivulgação

Rio - Não sei se vocês já se deram conta, mas o sentido da vida tá no acaso. Da fecundação à morte, passando por fatos relevantes de nossas vidas, há sempre a presença de um certo acaso, mesmo que aparentemente planejado e sob controle.

Tem quem não acredite no acaso — acham que ele é uma espécie de força superior que determina as coisas mais inesperadas e inusitadas de nossas vidas. Nós só não tomamos conhecimento com uma antecedência justa. Tudo bem, consideremos o acaso então como uma espécie de pseudônimo de Deus — é quando ele faz algo e assina com outro nome. Tanto faz, para o que eu quero dizer. Pura sorte ou obra divina, o acaso não deixa de ser incrível por ser surpreendente, aleatório, soco no estômago ou bilhete premiado.
O que seria de nossas vidas sem o eterno ponto de interrogação invisível e indolor que acorda com a gente todos os dias (e dorme também!) e que está pronto para nos lembrar que tudo pode acontecer. Ou nada. E sem aviso prévio ou pisca-alerta.

Descer para comprar o jornal e encontrar alguém que não se vê há muito tempo.
Perder o ônibus que foi assaltado.

Pegar o avião que teve problemas na decolagem.

Ir a um compromisso social chato e conhecer o amor da sua vida.
Conhecer pessoas durante um voo, na fila do banco ou na sala de espera do médico.
Numa simples reunião de trabalho, se encantar com uma ideia ou colocação de alguém.
Sempre o acaso botando as manguinhas de fora. Como prever?

O que seria do romance, do sonho e da idealização sem “serendipity” (“serendipismo”), que é o acaso com final feliz? Sabe quando algo acidental traz felicidade? Pois é, imagina viver sem essa possibilidade?

Para todo o yin tem o yang, para todo o bem tem o mal e para todo o lado bom tem também o ruim. Se não houvesse o acaso, a vida seria monótona e frustrante, mas sabemos o quanto o eterno fantasma do aleatório pode nos assombrar de forma constante.

É o medo de sair de casa, o medo de apostar em um projeto novo, o medo de que a pessoa que você ama conheça alguém incrível por obra do acaso, o medo da má notícia ou da doença inesperada. Sempre o temor do que desconhecemos e que pode nos trazer dor.
Bingo! Chegamos num ponto crucial: a angústia existencial. E não há muito o que fazer a não ser aceitar que o acaso está em tudo e que o não-saber-o-que-vai-ser pode ter seu lado divertido e ser uma boa aposta. Saber principalmente que tudo pode terminar (e geralmente termina) bem.

E eu, como vivo distraída, divagando por aí, prefiro acreditar que o acaso vai me proteger sempre.

E assim eu sigo tentando titanicamente aceitar a vida como ela é: um grande acaso de inícios, meios e finais felizes.

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