Disco para decifrar o som de Daúde

Gravado sob direção artística da própria cantora, CD apresenta releituras contemporâneas de músicas de várias épocas e estilos

Por O Dia

Rio - Cantora baiana radicada no Rio , Daúde despontou nos anos 1990 como promessa não cumprida de diva da música brasileira pós-moderna. Seus dois bons primeiro álbuns (editados pela gravadora Natasha) foram mais cultuados pela crítica do que pelo público. O terceiro, ‘Neguinha, te amo’ (2003), foi gravado há onze anos no exterior e, embora tenha saído no Brasil, obteve pouca repercussão. Com lançamento programado para esta semana, pelo selo Lab 344, ‘Código Daúde’ é outra (boa) tentativa de fazer o público decifrar o som da artista.

Daúde regrava o mambo ‘Babalu’%2C sucesso no Brasil com Ângela Maria%2C em seu quarto CD ‘Código Daúde’ Divulgação

Gravado sob direção artística da própria Daúde, autora dos arranjos, o CD apresenta releituras contemporâneas de músicas de várias épocas e estilos. O fato de o repertório ser pontuado por regravações em nada depõe contra o CD, pois Daúde é cantora de personalidade que nunca regrava uma música de forma convencional.

Geralmente, ela acerta, como na releitura do samba ‘Minhas razões’ (1972) — pérola rara do baú da dupla baiana Antonio Carlos & Jocáfi, regravada com arranjo em que os vocais de Daúde são o molho — e na eletrizante abordagem do samba-rock ‘Segura esse samba, Ogunhê’ (Osvaldo Nunes, 1969), gravado com Nelson Sargento em faixa que embute registro suave de irônico samba de Sargento, ‘Falso amor sincero’. Outro trunfo é ‘Sobradinho’ (Sá & Guarabyra, 1977), reerguido com vozes do coral infantil Musimundi.

Às vezes, Daúde erra a mão. Sucesso no Brasil na voz de Ângela Maria, o mambo ‘Babalu’ (Margarita Lecuona, 1939) tem o seu suingue diluído pela gravação modernosa deste CD pontuado por programações eletrônicas pilotadas pela própria artista.

Entre incursões pelas obras de Dorival Caymmi (‘Cala a boca, menino’, 1973) e Rodrigo Amarante (‘O vento’, 2005), Daúde recebe Marcos Vale, cujo piano ‘vintage’ envolve ‘Que bandeira’, tema de Valle, de 1971. Já Alceu Valença entra no tom lascivo de ‘Como dois animais’ (1982). Decifre Daúde!

Últimas de Diversão