Peça relembra fato histórico que mobilizou o mundo nos anos 20

‘Sacco e Vanzetti’ conta a história real dos imigrantes italianos condenados e executados nos Estados Unidos, pelo homicídio de um contador e de um guarda

Por O Dia

Rio - A história real dos imigrantes anarquistas italianos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, que são julgados, condenados e executados nos Estados Unidos dos anos 20, pelo homicídio de um contador e de um guarda de uma fábrica de sapatos. Essa é a trama do espetáculo ‘Sacco e Vanzetti’, em cartaz no Armazém 6, no Cais do Porto, até o dia 25 de maio. Apesar de se passar em outro século, a peça é atual porque fala de injustiça, corrupção e política. 

Cia Ensaio Aberto trata de temas políticos em seus espetáculosDivulgação


“Eles são presos e condenados à cadeira elétrica, em 1927. Passaram seis anos sofrendo com a injustiça e depois foram executados”, explica Gilberto Miranda, 60 anos, que interpreta o sapateiro Sacco.

“Trata-se de uma história real. Toda a dramaturgia é feita em cima de documentos, cartas, atas do tribunal e interrogatórios. Os personagens são reais. Eles eram anarquistas, lutavam por melhores condições de vida e de trabalho. Até que houve um crime e os acusaram injustamente. Houve manipulação de testemunhas, da política e da polícia”, conta o ator. “O estado de Massachusetts depois reconheceu o erro e pediu perdão à família dos acusados, mas 50 anos depois já não ia adiantar mais nada”, lamenta Gilberto, ao relembrar o caso.

O ator não deixa de fazer um paralelo com os dias de hoje, no Brasil. “Acabamos caindo em outras situações absurdas. Tem o caso dos envolvidos no Mensalão, por exemplo, um monte deles está preso, mas sem provas. O sentimento que tenho é que ainda temos uma tarefa árdua pela frente e ainda temos muito para lutar”, desabafa.

O diretor artístico Luiz Fernando Lobo faz questão de ressaltar que o teatro feito pela Companhia Ensaio Aberto é político. “A gente tem essa linha de trabalho. Fazemos teatro político e estamos sempre tocando nesse tipo de assunto. E em algum momento seria normal falar desses dois ícones da esquerda, que foram Sacco e Vanzetti. Também quisemos mostrar o quanto o poder judiciário pode estar contaminado”, reflete Luiz. “Interessa muito essa discussão sobre o judiciário, que está com pouca transparência e com pouca relação com a democracia”, acrescenta o diretor.

O caso, que mobilizou mais de 50 mil trabalhadores de todo o mundo, é relembrado com orgulho pelo diretor. “Vamos contar muito sobre o universo dos trabalhadores também. Essa injustiça mobilizou o mundo inteiro, aconteceram muitas manifestações, inclusive aqui no Brasil”, esclarece.

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