Luis Pimentel: 23 de abril de Pixinguinha, do choro e Geraldo Pereira

Pixinguinha é o nome por trás e à frente de nossas emoções mais genuínas, mais brejeiras, mais carinhosas

Por O Dia

Rio - Um dia, para traduzir uma emoção, uma situação ou um alumbramento, Gilberto Gil cantou assim: “Parecia um prelúdio bachiano, um frevo pernambucano, um choro de Pixinguinha...”

Alfredo da Rocha Vianna Jr. (1897-1973), o Pixinguinha, é em tudo e por tudo um pioneiro. Por isso que o dia do seu nascimento, um 23 de abril que nem hoje, foi transformado em Dia Nacional do Choro, para orgulho dos chorões, dos admiradores do velho Pixinga, dos amantes da nossa música mais genuína. O grande maestro, compositor, arranjador e flautista morreu dentro de uma igreja (após participar de um batizado), no que pode ser considerado também um desencarne verdadeiramente original, à moda e feitio de um mestre.

“Só quem morre dentro de uma igreja vira orixá/Louvado seja o meu santo Pixinguinha”, cantaram Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro num samba dos mais lindos.

Um dos pilares dos acordes e das melodias, entre os primeiros a popularizar o sopro e o choro, é chamado por alguns de Pai da Música Brasileira. Flautista virtuoso, agregador de talentos, maestro soberano antes de Tom ganhar o título, arranjador que já era moderno no início do século passado e compositor genial, Pixinguinha é o nome por trás e à frente de nossas emoções mais genuínas, mais brejeiras, mais carinhosas.

Soube misturar, com humildade e elegância, a modernidade de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Antônio Callado com os ritmos africanos, estilos europeus e a música negra americana a um lamento batuta, que atravessa gerações. Os maiores sucessos da chamada época de ouro da música popular brasileira têm arranjos, ou acompanhamentos, ou até mesmo inspiração de Pixinguinha.

Pioneiro, de verdade, em tudo. Foi o primeiro maestro-arranjador contratado por uma gravadora no Brasil. Puxou o cordão da profissionalização do músico brasileiro, reuniu o que havia de melhor no regional Oito Batutas e foi dos primeirões a sair pelo mundo, mostrando o que a Praça Onze, o Catumbi e a Rádio Nacional tinham.

Todo músico brasileiro sabe. Todo amante da música sabe. Pixinguinha — antes de Noel, de Cartola, de Tom e de Chico — mostrou ao mundo que no samba, no maxixe, no lundu, no jongo ou no choro também somos muito bons de bola.

Dia 23 de abril é dia, também, do aniversário de Geraldo Pereira (1918-1955), um dos grandes compositores de nossa música, autor de lindezas como ‘Falsa baiana’, ‘Escurinho’ e ‘Bolinha de Papel’, entre tantas. Mas aí já é assunto para outra conversa, que teremos dia desses. Pixinguinha é o nome por trás e à frente de nossas emoções mais genuínas, mais brejeiras,
mais carinhosas

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