Por karilayn.areias
Junior tem 9 anos e quer alisar o cabelo%2C mas sua mãe é contraDivulgação

Rio - Junior (Samuel Lange Zambrano) é um menino de 9 anos que quer muito alisar o cabelo para ficar parecido com um cantor. No entanto, a mãe do garoto, Marta (Samantha Castillo), acredita que esse pode ser um sinal de que o filho é gay, e se apavora com a ideia. Essa é a trama central do filme ‘Pelo Malo’, da venezuelana Mariana Rondón, em cartaz no Rio.

O longa levanta discussões sobre racismo e homofobia, mas nada é tão simples assim, nem tudo está explícito. Marta e os filhos vivem em um prédio gigantesco com apartamentos pequenos em um lado feio e pobre de Caracas. Não se sabe o que aconteceu com o pai deles, mas o filme sugere que ele se envolveu em um crime. Tampouco se tem certeza se Junior é gay, ou apenas uma criança carente que tenta chamar a atenção da mãe — e se parecer com ela, porque Marta tem cabelo liso, assim como o bebê. Já a mãe, embora inábil ao lidar com Junior, se preocupa com ele.

“Eu não queria fazer julgamento. Quis deixar espaços abertos para que o espectador, com sua própria experiência, veja e tire suas conclusões. A ideia era não ser maniqueísta”, explica a diretora Mariana Rondón, que veio ao Brasil divulgar o longa. “(Brasileiros e venezuelanos) somos racialmente muito parecidos. Temos ao mesmo tempo brancos, negros, meio negros, meio brancos... Com toda essa mistura, você tem o que chamam de cabelo ruim (em espanhol, ‘pelo malo’)”, analisa ela, que brinca: “Depois do petróleo, o que mais dá dinheiro na Venezuela é salão que alisa o cabelo.”

Tudo isso causou uma grande identificação dos brasileiros com a história. “O encontro com o público aqui foi fascinante. É muito fácil falar coisas importantes e profundas, porque o contexto pode ser compreendido. Tem a questão da mulher cuidando sozinha da casa, cumprindo papel de pai e mãe”, diz Mariana. “Decidi falar disso porque todos nós, seres humanos, temos uma luta contra a nossa própria imagem. Queria que fosse um diálogo, uma janela para algo mais profundo, reconhecer o outro.”

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